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31
maio 2016

Thelma e Louise: um filme sobre a cultura do estupro

 
publicado em: estudos de gênero, feminismos
por: Julieta Jacob
 

Eu passei a adolescência ouvindo que “Thelma e Louise” (1991) era um filme lindo sobre amizade. Um emocionante “road movie” americano sobre duas amigas aventureiras. Muita, mas muita gente mesmo me disse isso. Apesar da curiosidade, eu não sei exatamente o porquê não cheguei a assistir a esse filme na década de 90.

thelma e louise

Thelma e Louise (1991 – direção: Ridley Scott) mostra como a cultura do estupro é perversa com as mulheres e, ao mesmo tempo, naturalizada pela sociedade.

Recentemente descobri que ele está disponível no Netflix e resolvi assistir no exato dia em que ocorreu aquele chocante estupro coletivo no Rio de Janeiro. E fiquei pasma ao perceber o que ninguém havia me contado: “Thelma e Louise” é um filme sobre a cultura do estupro.Quando Thelma é estuprada e Louise mata o estuprador em legítima defesa, Thelma sugere que ambas vão à delegacia contar o que aconteceu, afinal, as vítimas naquela situação eram elas duas.

Mas Louise dá um chá de realidade à amiga dizendo que a polícia jamais acreditaria na versão delas, já que antes do estupro Thelma estava dançando e sorrindo com o estuprador em um bar lotado, e dezenas de pessoas testemunharam a cena. Apesar das marcas da agressão no corpo de Thelma, ninguém acreditaria que ela sofrera um estupro. E como Louise tinha tanta certeza? Ela mesma também havia sofrido um estupro no Texas, estado rural, machista e conservador, onde crimes desse tipo contra as mulheres são minimizados e permanecem impunes. Foi no Texas, mas podia ser no Brasil.

As duas decidem, então, fugir para não sofrer uma dupla humilhação e ainda serem culpabilizadas e condenadas quando, na verdade, eram as vítimas da história. Além de tudo, Thelma era casada e Louise tinha namorado. Por que estariam viajando “sozinhas” e sem a “permissão” dos companheiros? Aí eu só me lembrei daquelas duas mochileiras argentinas que foram estupradas e assassinadas no Equador, e ainda julgadas por quem considerou que a culpa era delas, afinal, estavam viajando “sozinhas”. Quantas outras Thelmas e Louises existem na vida real e estão sendo estupradas a cada 11 minutos aqui no Brasil?

Se você já viu o filme, reveja. Se ainda não viu, vale a pena. Tem no Netflix e é a minha ‪#‎Erosdica‬ de cinema. Depois me conta o que achou.

 

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