para maiores de 18 anos

20
jun 2016

Como trabalhar gênero e sexualidade no São João da escola

 
publicado em: educação sexual, estudos de gênero
por: Julieta Jacob
 

As apresentações de São João das escolas são, definitivamente, uma oportunidade muito rica para se trabalharem questões de gênero e sexualidade com a turma. É um desperdício que essa atividade se resuma à apresentação de uma coreografia, pois muitas vezes as letras das músicas escolhidas trazem mensagens que precisam ser debatidas com a turma:

são joão 2

Vou compartilhar uma sugestão de atividade a partir do que presenciei neste fim de semana numa escola aqui de Recife.

A cena foi a seguinte:

Um grupo de meninas (7 anos) dançando e interpretando a música “Flor do Mamulengo“. A letra narra a paixão frustrada de uma mulher por um boneco de pano e diz:

“Não tem sentido viver sem teu dengo
De desengano, vou ter um treco
E ele neco de se apaixonar”

SUGESTÃO: fazer uma interpretação crítica da letra destacando os seguintes pontos:

1) vale a pena se desesperar assim por uma paixão “não correspondida” a ponto de a vida perder o sentido?

2) debater com a turma o que dá sentido à nossa vida (para quebrar a ideia romântica – muito reforçada entre as meninas – de que o “grande amor” é a razão da nossa existência)

3) trabalhar a noção de consentimento (da mesmo forma que um boneco de pano jamais pode concordar ou discordar sobre se relacionar com alguém, uma criança também não pode, pois é uma criança. E, mesmo na vida adulta, o consentimento é fundamental)

4) questionar o que leva uma pessoa a não estar interessada para se relacionar com outra (sou obrigada a namorar fulano só porque ele quer ou gosta de mim? Se fulana não quer namorar comigo, isso me dá o direito de falar mal dela por aí?)

5) trabalhar o raciocínio sexual usando a situação apresentada na música: se por acaso, quando formos adultos, a gente se apaixonar por uma pessoa e essa pessoa não se interessar pela gente, como devemos agir?

Para as meninas, reforçar a ideia de que isso não é o fim do mundo, pois a auto-estima delas não pode depender de serem aceitas por alguém (elas não precisam mendigar o amor de um homem para serem felizes – como faz a moça na música).

Para os meninos, reforçar a ideia de que é preciso respeitar quando a outra pessoa diz NÃO e que a masculinidade dele não reside no fato de ser um “garanhão”.

Educação sexual é isso e se materializa de forma muito apropriada na transversalidade. Espero que aos poucos vocês comecem a perceber com mais frequência essas excelentes oportunidades de aprendizado!

O que acharam? Muita riqueza, né? E olha que só dei um exemplo – outros virão na sequência, vou dividir em vários posts pra não ficar textão demais.

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