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5
maio 2017

“O Recife ocupa o topo do ranking da LGBTfobia do Brasil. A universidade faz parte dessa cultura”, analisa professora Luciana Vieira

 
publicado em: Especial UFPE, LGBT
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Cesar Castanha, Felipe Soares, Henrique Souza, Luiza Ribeiro, Vinícius Maranhão e Victoria Ayres.

Para falar de LGBTfobia e lesbofobia,  a gente volta a abril de 2016, quando a Revista Veja, publicou um perfil de Marcela Temer, esposa do então presidente interino Michel Temer, sob o título Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”. O texto representa uma figura feminina que cumpre um papel decorativo no atual conflito político brasileiro. Como “recatada e do lar”, ela é esposa de Michel Temer, nada mais. Seu cotidiano se restringe a salões de beleza e à criação de Michelzinho, filho do casal. O perfil termina com a frase “Michel Temer é um homem de sorte”, como se a representação que o texto faz de Marcela Temer fosse a representação de uma mulher ideal.

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“Discutir gênero e sexualidade é um dos caminhos para desconstruir a cultura patriarcal, machista e LGBTfóbica”, analisa a coordenadora da Diretoria LGBT da UFPE, Luciana Vieira.

O perfil publicado na Veja é apenas uma de várias pistas para como o espaço a ser ocupado pela mulher é percebido nessa sociedade predominantemente patriarcal, em que o homem é visto como figura de comando e a mulher deve ser submissa a ele. Outra evidência, bem mais sombria, surge de um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que estipula um número de cerca de 5 mil mortes por ano causadas pelo feminicídio no país.

A vulnerabilidade da mulher no espaço público se agrava no caso das mulheres lésbicas. As lésbicas são vistas como um grupo indisponível ao desejo masculino. E o simples fato de serem mulheres que vivem sua sexualidade entre si, sem a participação dos homens, é visto como uma afronta à sociedade heteronormativa (e também patriarcal) em que vivemos, onde a heterossexualidade é legitimada como modelo a ser seguido. Quem não se encaixa nesse padrão é vítima de violência física e psicológica.

Nem sequer em espaços públicos, onde o respeito à diferença deveria existir, as mulheres lésbicas estão salvas desses abusos. Como enfrentamento à opressão de que são vítimas, elas têm se organizado para construir espaços próprios, como no caso da festa Ocupe Sapatão, e para ocupar coletivamente espaços hostis, como o bloco de Carnaval Ou Vai ou Racha. Nas universidades, o movimento feminista e LGBT pensam políticas de inclusão e combate à misoginia e LGBTfobia nos campus. Como coordenadora da Diretoria LGBT, a professora Luciana Vieira está à frente dessa missão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Conversamos com ela para conhecer as iniciativas da diretoria que visam garantir às mulheres lésbicas e às minorias LGBT o direito de vivência da sua sexualidade e gênero no espaço do campus.

Entrevista

EROSDITA – A UFPE é um lugar seguro para uma mulher lésbica viver sua sexualidade publicamente?

Não tenho como responder a essa questão porque, para isso, precisaríamos de uma pesquisa para mapear a lesbofobia na UFPE. Estamos fazendo uma pesquisa que vai ficar vinculada ao Siga para medir a lgbtfobia da UFPE e traçar o perfil da comunidade LGBT da universidade, mas ainda não temos esse mapeamento feito.

O Brasil, e também especificamente a cidade do Recife, não são lugares para a mulher lésbica viver sua sexualidade publicamente. Infelizmente, o Recife ocupa o topo do ranking da lgbtfobia do país. A universidade também faz parte dessa cultura LGBTfóbica. Foi exatamente por se saber disso que se criou a Diretoria LGBT, para pensar ações de conscientização e sensibilização da comunidade acadêmica em relação à LGBTfobia, entre outras questões.

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13
dez 2016

Filmes e séries imperdíveis sobre mulheres lésbicas

 
publicado em: Especial UFPE
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Ana Carla Santiago, Elton Ramon, Henrique Azevedo, Ícaro Ferreira, Lucas Vaz, Pedro de Souza e Renata de Oliveira.

Na produção cinematográfica, notamos cada vez mais a falta da representatividade de mulheres lésbicas. O que se encontra é o estereótipo lésbico usado para o fetiche do público hétero masculino – vide o filme Azul é a cor mais quente. Pode-se dizer que isso resulta em um apagamento da lesbianidade, o que impacta não somente no cinema, mas na vivência das lésbicas diariamente.

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Cena do filme Carol (2015).

Nessa indústria de filmes, a busca por representatividade é essencial para romper com regras socialmente impostas como a “lésbica feminina, branca, de classe média alta”, ou ainda sempre ter de existir  uma personagem representando a parte lésbica como “o homem” da relação (reproduzindo o padrão heteronormativo e impedindo que se abra um leque de possibilidades).

Tudo isso acaba sendo consequência do que significa ser lésbica na cultura machista em que estamos inseridos, na qual a mulher é transformada em objeto de fetiche. E não é preciso muito para perceber a maneira como lésbicas são retratadas nas produções midiáticas: de uma forma altamente sexualizada. Mulheres que não se encaixam em um determinado modelo de beleza, geralmente não encontram lugar. Isso não somente ajuda a manter o estranhamento das pessoas diante de um casal de lésbicas, como também chega a provocar repulsa se o casal não for “feminino” o suficiente aos olhos da cultura hétero-patriarcal.

Quando as produções que retratam a vida das mulheres lésbicas cumprem com seu papel de funcionar como um meio de representação, os filmes ou séries se transformam em ferramentas importantes para auxiliar na reflexão, por exemplo, sobre traumas, insegurança em relação à sexualidade e ainda para quebrar padrões.

Pensando nessa ideia de representação, trazendo o protagonismo da lésbica negra, cenas de sexo feitas sem visar o fetiche masculino e até mesmo a relação entre duas mulheres na década de 50, listamos alguns filmes e séries que mostram bem o cenário lésbico:

Carol (2015) – Passado na Nova York da década de 50, retrata o amor de duas mulheres em uma época de difícil aceitação. Em meio a problemas na vida pessoal das duas, Carol (Cate Blanchett) e Therese (Rooney Mara) se refugiam na estrada, deixando para trás suas vidas e logo se vêem entre as convenções tradicionais e a atração mútua.

Circumstance (2011) – Atafeh e Shireen vivem um romance proibido com o agravante de viverem no Irã, onde as mulheres são tratadas sem respeito. Elas sofrem diversos tipos de repressão, inclusive por parte de Mehran, irmão de Atafeh, um ex-viciado, convertido ao Islamismo e obcecado por Shireen.

Imagine Me and You (2005) –  No dia de seu casamento com Heck (Matthew Goode), Rachel (Piper Perabo) começa uma amizade com a florista Luce (Lena Headey). A partir desse encontro, a até então noiva começa a repensar se o seu casamento realmente seria a escolha certa.

The L Word (2004) – A série se passa em Los Angeles (EUA) e mostra o desenrolar da vida amorosa, sexual, profissional de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais.

Orange is the new Black (2013) – Uma série original do Netflix, adaptada do livro de mesmo nome escrito por Piper Kerman. A história é sobre a vida da própria autora (na série, Piper Chapman) e sua experiência na prisão. Juntamente com outras detentas, a série dá voz a vários tipos de mulheres: gordas, magras, loiras, latinas, negras, novas e velhas, heterossexuais, bissexuais, lésbicas e uma transexual. A representatividade feminina desconstrói estereótipos geralmente engessados em filmes e séries.

*Este conteúdo foi produzido por estudantes de jornalismo da UFPE sob a supervisão da professora Yvana Fechine.

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10
dez 2016

Autoaceitação lésbica: um guia literário para compreender o tema

 
publicado em: Especial UFPE
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Artur Ferraz, Daiane Barbosa, Geise França, Guilherme Bertouline, Heitor Barros, José Lucas Bastos, Lindainês Santos e Talita Barbosa

Apesar dos avanços sociais dos últimos anos, os homossexuais ainda estão longe de viver livres do preconceito. Diante disso, antes mesmo de se afirmarem para o mundo, as mulheres lésbicas precisam trilhar um longo caminho de dúvidas e desconfianças.  O acesso à informação e a outras experiências, dando a oportunidade de abranger as vivências da mulher, pode ajudar a elaborar o caminho rumo à autoaceitação, que nem sempre é simples de início.

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Confira quatro livros que ampliam a visão sobre a temática da autoaceitação lésbica. Entre histórias em quadrinhos, romance, suspenses e versos, cada uma pode escolher a leitura que mais lhe agrade ou fascine. Boa leitura!

Livro: Fun Home – Uma Tragicomédia em Família

Autora: Alison Bechdel

Esse quadrinho aborda a infância e adolescência de sua autora, Alison Bechdel, focando principalmente na relação de Alison com seu pai, Bruce Bechdel. A história mostra a trajetória de Alison em se descobrir lésbica e como a paixão por literatura, algo que dividia com seu pai, ajudou-a nessa descoberta. As diferenças de personalidade entre pai e filha também são um tema recorrente e importante para a formação de Alison. A partir do falecimento do pai, ela buscou entender quem ele era realmente e a revelação sobre seu pai ser também homossexual acaba afetando sua maneira de enxergá-lo e de enxergar também o mundo.

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A estudante de Jornalismo da UFPE, Marina Varela, descreve o porquê do interesse em Fun Home. “Eu acho que é um livro bem diferente e único, não por tratar da temática LGBT, mas por ser um quadrinho autobiográfico muito bem escrito. É uma história em quadrinhos pra quem gosta de livros. Além disso, ele tem uma história surpreendente e que não é batida e óbvia como a maioria dos livros desse tipo”. No Brasil, a edição de Fun Home foi publicada pela editora Conrad e pode ser encontrada no site da Amazon.


Livro: Arame Farpado

Autora: Lisa Alves

O livro, escrito pela mineira Lisa Alves, traz, por meio de versos, temáticas importantes para a comunidade LGBT. Publicado em 2015, o projeto foi elaborado por um coletivo e teve a capa desenvolvida pela esposa de Lisa, Juliana.

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A autora trata de questões bem contemporâneas. Um de seus poemas intitulado “Filhos de Putins” dialoga com a luta por direitos e respeito às relações homoafetivas e os entraves sociais para a aceitação do amor dos iguais, como se vê neste trecho: pedras nos bolsos/para sentir o peso/ de se carregar o fardo/ da natureza bruta/ pedras nos bolsos/ para vingar a amiga/ “curada” à força…

O livro é organizado em seis seções, entre elas a Do Eu, Dos Territórios, Da Dominação, Da Vindicta, Das Contradições e Da Poesia. A poesia de Lisa é cortante, mordaz e farpada, como se refere o título.O livro, por fim, também é uma tapa na consciência dos intolerantes – dolorosa como um arame ao entrar na pele de quem se atreve a conhecer o outro lado da paisagem. Arame Farpado foi publicado pela editora Coletivo Púcaro e Nyx Poética e custa R$ 25,00.


 Livro: Azul é a cor mais quente

Autora: Julie Maroh

O livro de Julie Maroh superou a expectativa de muito dos seus leitores ao trazer, suavemente, o assunto da lesbianidade, mas sem deixar de fazer críticas à sociedade.

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O estudante de Direito Caio Monteiro foi um dos que se interessaram pelo livro, mesmo não fazendo parte do mundo LGBT. “Faz uns dois anos que eu li, nunca tinha lido livros desse tema. Me surpreendeu a forma natural como a história é contada e como eles abordam a questão da lesbianidade. Começam partindo do conhecimento superficial do tema e terminam deixando exposto o quão humano é o sentimento entre as duas. Achei que o livro dá uma aula para aqueles que veem por fora a relação lésbica (homossexual). Muito bom, bem emocionante. Qualquer pessoa que se abrir para a história vai conseguir sentir e compartilhar o drama do relacionamento abordado no livro. A ilustração da HQ é perfeita, conta a história tanto quanto as palavras. Em relação aos desenhos, fizeram um trabalho sensacional”, opina.

O livro foi publicado pela editora Martins Fontes e custa R$ 49,00.


Livro: Na Ponta dos Dedos

Autora: Sarah Waters

O livro, escrito pela inglesa Sarah Waters, posteriormente foi transformado em filme e retrata a história de um romance lésbico, mas sem clichês. Na verdade, todos os pontos da sua história fogem do usual.

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A autora retrata a vida de Sue, uma garota órfã que passou sua infância e juventude morando em um cortiço junto com um grupo de ladrões e vigaristas em uma Inglaterra Vitoriana. Sue, influenciada pelas pessoas que a cercam em casa, é encorajada a trair e fraudar Maud Lilly, mulher rica com quem ela acaba se relacionando. Apesar da situação incomum e dos sentimentos íntimos expostos, o livro é leve. Waters descreve, sem enrolações, o erotismo na visão feminina – e lésbica – da personagem principal. A trama é envolvente, cheia de reviravoltas e de suspense. O livro custa R$49,90.

*Este conteúdo foi produzido por estudantes de Jornalismo da UFPE sob a orientação da professora Yvana Fechine.

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7
dez 2016

Coletivos lésbicos, redes socias e a luta contra a lesbofobia

 
publicado em: Especial UFPE
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Amanda Duarte, Céu Kelner, Marina Varela e Wagner Sousa

Violência doméstica, lesbofobia, sexualidade feminina e empoderamento são algumas das pautas abordadas pelos coletivos lésbicos. Além de funcionar como um grupo de apoio, no qual mulheres lésbicas despertam a empatia umas pelas outras, os coletivos também dialogam com representantes políticos e instituições em busca de garantia de direitos.

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Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de PE. (Foto: divulgação)

Como são raras as fontes de financiamento para esse tipo de iniciativa, os coletivos dificilmente possuem um endereço fixo e é aí que a internet entra para ajudar as mulheres lésbicas e bissexuais. Em Pernambuco, a maioria deles se organiza pelas redes sociais. São exemplos os coletivos ComLés, Periféricas, Luas e Ou Vai ou Racha. Além de coletivos, existe também um aplicativo para LGBTs, o Mina Migs. Desenvolvido por estudantes da Universidade Federal de Pernambuco, a plataforma conecta pessoas que podem oferecer ajuda para acolher pessoas LGBT que foram expulsas de casa.

Confira abaixo um pouco mais sobre esses coletivos lésbicos e também sobre o aplicativo:

COMLÉS – Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de PE

Fundado em 2009, o Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais se formou para unificar e politizar as atividades de grupos menores. Foi o coletivo que organizou a primeira caminhada lésbica em Pernambuco e participou ativamente da estruturação do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica no Estado, ambos em 2009. Participam do coletivo 30 mulheres e as reuniões são mensais.

“Isso foi importante para o fortalecimento das lideranças e também para a interlocução com o poder público. Algumas gestoras também participaram e para nós é importante que elas conheçam as pautas lésbicas”, conta Ana Carla Lemos, uma das fundadoras do Coletivo.

No início deste ano, o ComLés promoveu o Seminário de Construção de Políticas para Lésbicas e Mulheres Bissexuais de Pernambuco. O objetivo do encontro é fortalecer e fomentar ações voltadas para o segmento, além de discutir a aplicabilidade de politicas públicas, principalmente na área da saúde. A programação contou com mesa de debate com parlamentares e movimento sociais, roda de diálogos,oficinas de teatro e noite cultural.

Para Ana Carla, é importante combater a ideia patriarcal de que mulheres não devem fazer parte das discussões políticas. “Pelo contrário, organizamos seminários para elas e sempre procuramos aliar isso com ações culturais, porque assim nós conseguimos mobilizar mais mulheres. Se elas não conseguem ir a dois ou três dias de formação, pelo menos vão para o ato cultural”.

Contato

(81) 98662-1107 // (81) 98863-5062 // (81) 99899-1508

comlesbpe@gmail.com

Clique aqui para acessar a fanpage.


PERIFÉRICAS

O Periféricas é um coletivo feminista do Ibura, Zona Sul do Recife, que busca a divulgação de denúncias de violência contra a mulher, o empoderamento feminino e a igualdade entre os gêneros. O coletivo nasceu no dia 08 de março de 2016, no dia da mulher, junto com a primeira ocupação feminista do Ibura. A visibilidade do movimento funciona como válvula de abertura para espaços específicos tratando de assuntos que envolvem as mulheres e suas implicações.

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Coletivo Periféricas. (Foto: divulgação)

São 12 mulheres em ação, que se reúnem semanalmente alternando entre reuniões fechadas, pra resolver questões internas, e abertas, com a participação da comunidade. Nas conversas públicas, as Periféricas fazem ações recreativas e de incentivo à arte com as crianças nas praças do bairro.

O Periféricas trabalha em conjunto com vários coletivos, como Coletivo Femme de Dança da UFPE e Diadorimo. Além dos debates, há um trabalho voltado para a população feminina carcerária da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).

As interessadas em participar ou conhecer o coletivo, podem conferir a página Periféricas para ficar por dentro do que acontece no movimento.

Contato

Maria Janielly – (81) 98641-6204

Tainá Kirimurê – (81) 98664-1634

Joyce Thamires – (81) 98868-9252

coletivoperifericas@gmail.com


LUAS

O Luas teve seu início, em 2006, como um periódico idealizado por duas lésbicas feministas: Elisângela Nunes e Ana Carla Lemos. Um das metas do Jornal Luas era levar às pessoas LGBT, com pouco acesso à internet, informações sobre o mundo LGBT, militância e direitos humanos, provocando a compreensão da diversidade sexual.

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Com o resultado das intervenções e percebendo a necessidade de um trabalho mais profundo voltado a mulheres lésbicas e bissexuais de Pernambuco, o jornal deu lugar ao Grupo Luas. Desde 2009, o grupo organiza seminários, debates e caminhadas voltados à visibilidade dessas mulheres.

O coletivo atua através de ações e intervenções socioeducativas e culturais sobre saúde, direitos humanos, gênero, feminismo, diversidade sexual e direitos sexuais. A missão é empoderar e fortalecer politicamente o público LGBT, contribuindo para sua inserção nos movimentos sociais e desmistificando o preconceito relacionado à orientação sexual.

O atendimento das demandas acontece via e-mail.

Contato

Rita de Cassia Ferreira >> ritacf.psi@gmail.com


OU VAI OU RACHA

Coletivo de lésbicas que atua no Recife. Originalmente, nasceu como um bloco carnavalesco que desfilava nas ladeiras de Olinda ao som de marchinhas contra a lesbofobia. Enquanto bloco, debutou no carnaval de 2013, carregando cerca de cem pessoas atrás de um estandarte de calcinhas. Mais organizado, hoje o grupo conta com centenas de adeptas e é bastante engajado em questões sociais e políticas. Participa anualmente da Parada da Diversidade e da Marcha das Vadias, sempre dialogando com pautas feministas.

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Contato >> https://www.facebook.com/ouvaiourachaja


MONA MIGS

Aplicativo criado em maio deste ano, durante o avento Startup Weekend UFPE. É direcionado para jovens LGBT que foram expulsos de casa. Você entra, cadastra seus dados e envia um pequeno relato da sua situação. A partir daí, pessoas com disponibilidade para receber um desses jovens em casa irá entrar em contato.

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Idealizado e produzido por estudantes pernambucanos, a equipe do Mona Migs é composta por quatro desenvolvedores, três designers e uma administradora. “Sabíamos, e após a quantidade de depoimentos que recebemos, sabemos mais ainda que esse projeto é realmente necessário para ajudar todos aqueles que precisam”, afirma a equipe do app em sua fanpage no Facebook. Um dos desafios da plataforma atualmente é garantir a segurança jurídica para os dois lados: os que precisam e os que querem ajudar.

O aplicativo está disponível na Apple Store e na Google Play. Já conta com fanpage no facebook e mais de 500 pessoas inscritas.


TELEFONES ÚTEIS

Direitos Humanos – 100

Central de Atendimento à Mulher – 180

Disque Denúncia – (81) 3421-9595 ou 181

*Este conteúdo foi produzido por estudantes da UFPE sob a orientação da professora Yvana Fechine.

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4
dez 2016

Mulheres lésbicas também podem contrair DSTs. Saiba como se prevenir

 
publicado em: Especial UFPE
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Ana Katarina Nápoles, Lucas Antônio Adelino, Rafael Mello, Lara Ximenes, Lorena de Barros, Rebeca Montenegro e NathalliaFonseca

Muitos profissionais de saúde negligenciam o atendimento às lésbicas porque acreditam que, por estarem  em uma relação com outra mulher, elas não estão expostas a doenças sexualmente transmissíveis (DST). No entanto, o risco é real e ainda mais latente quando mulheres homossexuais são invisibilizadas durante as consultas.

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Um balanço nos atendimentos ginecológicos da rede pública da cidade de São Paulo  no ano de 2004, feito pelo pesquisador Valdir Pinto, interlocutor de DST do Programa Estadual de Aids do estado, detectou que até 60% de mulheres lésbicas e bissexuais já contraíram DSTs. Essa mesma pesquisa, encomendada pelo Ministério da Saúde, mostrou que 40% das mulheres lésbicas não revelam sua orientação sexual nas consultas ginecológicas por medo ou simplesmente por não terem sido questionadas sobre o assunto.

Não falar a orientação sexual durante a consulta pode transformar o cuidado em um desserviço. “Muitas vezes as mulheres lésbicas não se colocam como lésbicas por conta dessa falta de espaço numa consulta ao ginecologista e saem com uma prescrição de anticoncepcional oral e preservativo masculino, o que não tem sentido nenhum”, explica a ginecologista Lúcia Rohr.

Apesar de alguns médicos ainda não terem mudado seus hábitos nem adicionado um simples questionamento sobre a orientação sexual da paciente na hora da consulta, é importante saber de quais são as DSTs mais frequentes e como se prevenir delas:

Vaginose Bacteriana

É uma das doenças mais comuns. Ocorre quando há um desequilíbrio na flora vaginal da mulher.

Como se prevenir: Fazer o asseio de possíveis objetos utilizados na hora da relação sexual é uma das orientações dadas pelas ginecologistas. Evitar usar roupas de tecido sintético e dormir sem calcinha à noite também são sugestões dadas pelos médicos.

HPV

O vírus do papiloma humano pode se apresentar com verrugas nas mucosas do corpo ou até mesmo silenciosamente. Se não for tratado, pode causar câncer do colo de útero.

Como se prevenir: Utilizar preservativos na hora do ato sexual e realizar exames preventivos anuais. É essencial não deixar de ir ao ginecologista e buscar um profissional com quem você se sinta à vontade para conversar.

Gonorréia

É causada por uma bactéria e pode ser transmitida de forma vaginal ou oral. Provoca aumento no corrimento vaginal, dor ao urinar ou sangramento fora do período menstrual.

Como se prevenir: Utilizar preservativos na hora do ato sexual e realizar exames preventivos anuais.

*Este conteúdo foi produzido por estudantes de Jornalismo da UFPE sob a orientação da professora Yvana Fechine.

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1
dez 2016

Lesbofobia: como denunciar

 
publicado em: Especial UFPE
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Camila de Paula, Daywangles Vilar, Douglas Nascimento, Isabel Maia, Marcela Maranhão, Mariana Gueiros e Marília Gabriela.

lesbofobia (sf) >> les.bo.fo.bi.a: Aversão ou rejeição a lésbica e a lesbianismo.

Na sociedade machista em que vivemos, a mulher é constantemente mantida em um lugar de vulnerabilidade. E, uma vez que ela assume o amor por outra mulher, essa situação se agrava ainda mais. Desde olhares maldosos até assédio, agressões verbais e físicas: podemos até não perceber, mas as mulheres lésbicas sofrem com o preconceito.

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No Brasil, as mulheres ainda enfrentam muitos obstáculos que provocam a omissão nesses casos de violência. Mas, por mais difícil que seja, tomar a decisão de denunciar o agressor é importante para a segurança daquelas que sofreram violência, e também para cobrar das autoridades providências que garantam a proteção da vítima. Porém,o despreparo de agentes públicos para lidar com esse tipo de ocorrência ainda é preocupante.

De acordo com a promotora de justiça Aline Arroxelas, do Ministério Público de Pernambuco, nos últimos anos, o Estado vem se empenhando no treinamento dos profissionais que lidam com esses casos. “A Comissão de Direitos Homoafetivos do MPPE tem trabalhado para sensibilizar principalmente as polícias, e mais ainda as próprias políticas públicas para que esses direitos sejam assegurados e que essas mulheres tenham cada vez mais autonomia e menos vergonha de fazer valer seus direitos”, explica.

Mas, como denunciar? De acordo com a promotora, há um trabalho conjunto entre a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) e a Polícia Civil para coibir estes crimes. “A mulher deve ir até uma delegacia de polícia e registrar essa ocorrência ou, caso ela esteja em perigo, acionar a Polícia Militar, como em qualquer outro crime”, orienta. As denúncias também podem ser feitas pessoalmente na Delegacia da Mulher, ou pelo telefone 180.

As mulheres ainda têm a opção de denunciar ao Ministério Público em casos de violência específica, como injúrias, ou em situações de humilhação sofridas em órgãos que não estejam realizando corretamente sua função de acolhimento dessas vítimas. No site do MPPE existe o serviço de denúncia online, que pode ser utilizado a qualquer hora do dia, e também por telefone 0800 281 9455, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O serviço é gratuito e pode ser usado para o acompanhamento e oferecimento de denúncias, especialmente quando são feitas sob anonimato.

Serviço

Delegacia da Mulher: 180

Polícia Militar: 190

Disque-Denúncia: 181 / 3421.9595

*Este conteúdo foi produzido por estudantes de Jornalismo da UFPE sob a orientação da professora Yvana Fechine.

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28
nov 2016

Antropóloga Marion Quadros fala sobre a maternidade das mulheres lésbicas

 
publicado em: Especial UFPE
por: Julieta Jacob
 

Reportagem*: Vinícius de Brito, Caíque Luís e Maria Eduarda Esteves

Lembra do programa Erosdita sobre mulheres lésbicas? Um dos temas abordados foi a questão da maternidade. Para complementar o conteúdo que foi exibido na TV, ouça a entrevista com a antropóloga e professora da UFPE Marion Quadros. Ela fala sobre a definição de família, as diferentes concepções sobre a homossexualidade ao longo da História, a questão da sexualidade como dispositivo de poder entre outros assuntos! Aperta o PLAY no podcast abaixo porque tá imperdível. Uma super aula!

Assista ao programa completo sobre mulheres lésbicas:

 

  • Este conteúdo foi produzido por estudantes de Jornalismo da UFPE sob a orientação da professora Yvana Fechine.
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12
set 2016

Programa Erosdita sobre gênero e sexualidade ganha prêmio Expocom Nacional 2016

 
publicado em: Especial UFPE, estudos de gênero
por: Julieta Jacob
 

REPORTAGEM: Caio Castro Mello

Na última sexta (9) o programa Erosdita Especial UFPE recebeu o prêmio Expocom Nacional 2016, na categoria Reportagem em Telejornalismo. Discutindo gênero e sexualidade, o projeto é uma realização de alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco em parceira com o Blog Erosdita e a TV Pernambuco.

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Alunos da UFPE premiados na Expocom Nacional 2016 (Foto: Susanne Farias).

O Prêmio Expocom é realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e acontece anualmente em duas etapas. Após vencer a etapa regional, realizada na cidade de Caruaru, o programa foi selecionado para representar a Região Nordeste na seletiva nacional. Nesta, um trabalho vencedor de cada região do país é apresentado e defendido perante um júri técnico de professores especialistas. O evento foi realizado na Universidade de São Paulo (USP) entre os dias 5 e 9 de setembro.

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9
set 2016

Estudantes da UFPE produzem programa sobre mulheres lésbicas

 
publicado em: Especial UFPE, LGBT
por: Julieta Jacob
 

No dia 29 de agosto é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Para celebrar,  teve programa Erosdita inédito sobre o tema! Foi mais uma parceria maravilhosa com a professora Yvana Fechine (a primeira deu origem ao programa especial sobre gênero e diversidade sexual). Todas as reportagens foram produzidas e realizadas por alunos e alunas do sétimo período do curso de jornalismo da UFPE. O programa foi ao ar pela TV Pernambuco (canal 46 em Recife) e você pode conferir na íntegra aqui embaixo!

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16
jul 2016

Programa Erosdita feito por estudantes da UFPE recebe prêmio na Expocom 2016

 
publicado em: Especial UFPE, estudos de gênero
por: Julieta Jacob
 

REPORTAGEM: Caio Castro Mello

No último dia 9, o programa Erosdita Especial UFPE recebeu o prêmio de melhor reportagem em telejornalismo na Expocom 2016. Produzido por alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob orientação da professora Yvana Fechine, em parceira com o blog Erosdita, o programa foi transmitido pela TV Pernambuco em 2015 (clique aqui para assistir).

Erosdita Intercom

(da esquerda pra direita): representante da Intercom; Maria Eduarda Barbosa; Caio Castro Mello; Katarina Vieira; Jaqueline Fraga; Suenia Azevedo; Julio Cirne. (Crédito: Intercom/Divulgação)

A seletiva regional, organizada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) aconteceu na Unifavip, em Caruaru. Anualmente, a Intercom premia as melhores produções laboratoriais de alunos de comunicação, em diversas categorias. leia o post completo »

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