para maiores de 18 anos

5
jan 2016

Mostra de cinema exibe filmes eróticos com audiodescrição, Libras e legendagem descritiva

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Andreza é formada em Artes Cênicas. Pensando em democratizar o acesso às artes, ela fez um curso de extensão para trabalhar com pessoas com deficiência e hoje é mestre em Educação, mais especificamente na área de educação inclusiva. Sem saber, ao escolher esse caminho ela estava se preparando para o convite mais irresistivelmente indecente da sua vida, feito por Judite Muniz, uma mulher cega: fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico.

andreza nobrega

Andreza Nóbrega é idealizadora e coordenadora da Mostra de Cinema Às Escuras.

Andreza não apenas topou o desafio, como decidiu ampliá-lo. Afinal, além de Judite, outras pessoas com deficiência visual e/ou auditiva também poderiam se interessar por filmes eróticos. Ou você acha que as pessoas que não enxergam ou não ouvem são assexuadas? A partir daí surgiu uma ideia genial: criar a Mostra de cinema erótico Às Escuras. leia o post completo »

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16
dez 2015

Flagrante de traição em motel: em vez de fazer a unha, façamos uma reflexão

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Hoje uma notícia me saltou aos olhos na minha timeline facebookiana: “Barraco natalino no motel é o novo meme da internet brasileira”. Pensando se tratar de algo engraçado (afinal, de memes inteligentes a internet está cheia), cliquei e, para minha frustração, a história não era de comédia, mas tragédia. Das grandes. Com ares de perseguição policialesca digna dos piores programas sensacionalistas que a TV mundial já foi capaz de produzir.

Pra resumir, trata-se de um flagrante: o marido flagra a esposa na entrada do motel com o seu melhor amigo. O fato ocorreu em Minas Gerais. Imagine a cena. Pois assista, se quiser. Um outro amigo do marido filmou tudo. (acho super deprê compartilhar coisas desse tipo, mas quem estiver disposto, vá em frente. Eu não recomendo).

motel

Sei nem por onde começo a comentar sobre esse vídeo, que viralizou na internet. Um festival de machismo, misoginia e discurso de ódio, que, infelizmente, dizem tanto sobre como nossa sociedade pensa e age sobre as relações afetivas e especialmente sobre a sexualidade feminina.
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6
nov 2015

Não existe mulher heterossexual, conclui estudo. Todas são homossexuais ou bissexuais

 
publicado em: LGBT, sexo
por: Julieta Jacob
 

Apesar da manchete simplista e conclusiva, a sexualidade humana é MUITO mais complexa. Em se tratando do nosso desejo sexual, então, nem se fala. Por isso que os pesquisadores e pesquisadoras não se cansam de tentar entender como é que ele funciona (#mistério). Quem começou a brincadeira foi o taxonomista americano Alfred Kinsey, que elaborou uma escala sugerindo que as orientações sexuais não seriam fixas, mas seriam permutáveis e poderiam apresentar modificações ao longo da vida.

azul é a cor

Cena do filme “Azul é a cor mais quente”, do direor Abdellatif Kechiche. Se ainda não viu, veja! É maravilhoso.

Seguindo essa linha, lá na Universidade de Essex, na Inglaterra, um estudo do Departamento de Psicologia reuniu 345 mulheres para entender melhor o desejo feminino. A metodologia foi a seguinte: todas elas assistiram a vídeos eróticos de homens e mulheres e tiveram as suas reações monitoradas para medir o grau de excitabilidade. leia o post completo »

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20
out 2015

Em tempos de crise econômica, sexo é um investimento com retorno garantido

 
publicado em: amor, sexo
por: Julieta Jacob
 

Eu sei, a crise também chegou à sua casa, tou certa? Na minha também. E na de um monte de gente que eu conheço. Eu sei, o stress tá bombando e você anda sem cabeça pra transar com tanta conta pendurada, né? Também sei coméquié! Você não está só.

Helder Santos e Camilla Loyolla, que estão juntos há 10 anos, sentiram o casamento estremecer diante dos maus ventos financeiros e encontraram uma maneira criativa (e genial) de atravessar a fase ingrata sem perder o tesão: criaram a tirinha de humor Casal na Crise, onde compartilham os perrengues que estão vivendo e as soluções que encontram para enfrentar as adversidades (toda semana tem tirinha nova na página do facebook). Dá pra rir, se identificar e se inspirar. Até porque pode até faltar mamão papaya e cerveja gourmet, mas certas coisas não podem faltar nunca:

casal na crise 3

Não custa lembrar do que é essencial nessa vida!

Eu bati um papo por email com Camilla e Helder, e eles me contaram tudo sobre o Casal na Crise. Confira a entrevista super divertida!

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28
set 2015

Seis motivos para ver o erótico “Love”, de Gaspar Noé

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

– Juba, já visse “Love”?

– Não, por quê?

– Porque o filme é a tua cara… tem sexo explícito e uma gozada em 3D.

Well, eu não sabia que tinha cara de esperma, mas confesso que depois desse singelo convite, não resisti e fui conferir o novo filme de Gaspar Noé, aclamado em Cannes (apesar de polêmico). Mas não sem antes chamar meu marido, né?

Aqui em Recife, o filme só está em cartaz no cinema da Fundação, no Derby. Em alguns estados, infelizmente nem chegou a entrar em cartaz porque os cinemas o consideraram “erótico demais”. A classificação é 18 anos.

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Murphy e Electra: tesão, confusão e depressão.

Cheguei ao cinema antes do meu marido, comprei os ingressos e fiquei esperando dentro da sala. A sessão estava lotada. Minutos depois do início do filme, ele chegou apressado e colocou os óculos 3D.

– Perdi muita coisa?

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17
set 2015

Ele pede: “toque em mim”. Vídeo mostra reação das pessoas diante de um homem portador de HIV

 
publicado em: educação sexual, sexo
por: Julieta Jacob
 

Na década de 1980 a Aids emergiu como um terror, um castigo, uma peste desconhecida a ameaçar a humanidade. Hoje, apesar de ainda não existir cura, já existe tratamento e a qualidade de vida dos portadores do vírus HIV melhorou consideravelmente. Entretanto, o preconceito e a falta de informação ainda persistem, e não apenas no Brasil.

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“Sou HIV-positivo. Toque em mim”

Lá em Helsínquia, capital da Finlândia, um homem chamado Janne Antin foi até uma praça e ficou de pé ao lado de um cartaz que dizia: “Sou HIV-positivo. Toque em mim”. A ideia é parte de um projeto da organização Yle Kioski, que trabalha para combater a exclusão social que as pessoas portadoras de HIV ainda sofrem.

Janne decidiu encarar o medo das pessoas de frente. O resultado é emocionante. Antes de conferir o vídeo, responda: o que você faria?

Para esclarecer: o vírus HIV NÃO é transmitido por meio do abraço, aperto de mão, beijo no rosto… portanto, não há razão alguma para ter medo, discriminar ou mesmo excluir as pessoas HIV-positivo do seu convívio. Confira as formas de contágio clicando aqui. E, claro: use sempre camisinha!

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23
jul 2015

Mãe, como é que a mulher engravida? Explicando a reprodução para crianças

 
publicado em: educação sexual, sexo
por: Julieta Jacob
 

Esta semana uma mãe me procurou aflita. A filha dela, de 7 anos, havia perguntado como as mulheres engravidam. A mãe, que sempre conversa numa boa (o que é ótimo, aliás), explicou que o papai e a mamãe ficam pelados, namoram e o papai coloca uma semente na barriga da mamãe. E essa semente se transforma no bebê.

Pronto. Beleza. Assunto encerrado. A explicação foi tão legal, que poderia tranquilamente ter parado por aí. Mas a menina insistiu inconformada:

Eu entendi tudo o que você me explicou, mas o que eu quero saber é COMO a semente entra na barriga da mãe!

A dúvida é compreensível. A história da semente, apesar de verdadeira, só é óbvia na cabeça dos adultos. Uma criança, que mal conhece a anatomia das genitálias masculina e feminina, não consegue entender o processo reprodutivo apenas com essa explicação. Será que a tal semente entra pela boca da mãe? Afinal, se quando a gente come, a comida vai pra nossa barriga, o mesmo pode acontecer com os bebês, concorda?

Da mesma forma que a dúvida das crianças é compreensível, também compreende-se a dificuldade de alguns pais e mães em explicar a reprodução humana com mais detalhes. O medo é justamente falar demais e acabar estimulando a curiosidade da criança. Mas o que ocorre é exatamente o contrário: quanto mais bem informada a criança for, menos ansiosa ela será. Já a criança que fica cheia de dúvidas e não conta com os pais para orientá-la, vai buscar as respostas em outras fontes – google, amigos da escola, vizinhos – e as informações podem vir erradas ou inadequadas. Portanto, perder a chance de educar o seu filho não parece uma opção.

Se você, pai ou mãe, tem dificuldade para verbalizar para seu filho frases como o pênis do homem entra na vagina da mulher, saiba que dificilmente a criança vai erotizar essa imagem. Para ela, é uma mera informação técnica tal qual a colher de sopa entra na boca. Mas essa naturalidade vai depender, é claro, da FORMA como a informação é passada para a criança. Quando o adulto tem muita vergonha de conversar por achar que o assunto é “errado”, a criança percebe que há algo de “errado” ali.

Em situações como essa, uma boa saída é recorrer a imagens para ajudar na explicação. A maioria dos livros, entretanto, mostra apenas o desenho de um homem em cima de uma mulher. Para algumas crianças, vai ser suficiente e elas vão ficar satisfeitas com a informação. Mas nos casos em que a curiosidade vai além, desenhos assim, que apenas “sugerem” e não revelam, deixam dúvidas.

Encontrei um livro que traz ilustrações mais detalhadas sobre a reprodução. Ele se chama How a baby is made, e foi escrito em 1975 pelo psicoterapeuta dinamarquês Per Holm Knudsen. A imagem que, a meu ver, melhor esclarece a pergunta feita pela menina de 7 anos do início do post (Como o bebê entra na barriga da mamãe?) é esta aqui:

imagem3

Reprodução do livro How a baby is made, de Per Holm Knudsen

É claro que o desenho tem que vir acompanhado de uma explicação. É preciso nomear os genitais (pênis e vagina), explicar que a vagina é um canal e que a “semente” sai do pênis. A forma de explicar é extramente pessoal. Cada família cria a sua. O importante é que haja diálogo e compreensão. E, para isso, a conversa deve ocorrer num clima de tranquilidade e bem-estar, sem tensões.

Esse livro causa certa polêmica até hoje justamente por ser tão detalhado. Acredito que muita gente que critica não sabe o que é ter uma criança super curiosa em casa ou acredita que a ilustração tem alguma conotação erótica (e aí é o adulto que está enxergando a erotização).

Mais importante do que simplesmente defender ou condenar a publicação, é entender que ela é mais uma entre diferentes opções de livros no mercado: alguns com desenhos mais sutis (para crianças menores), outros com imagens mais detalhadas. Ambos podem ser muito úteis em diferentes contextos. Cabe ao pai e à mãe (que conhece o filho/a melhor do que ninguém e sabe exatamente o tipo de informação que quer transmitir para sua prole) escolher o tipo de abordagem que julga mais adequada.

E você, costuma conversar sobre sexualidade com seus filhos? Qual a sua maior dificuldade? Será que eu posso te ajudar?

 

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17
jun 2015

Mulheres sem mimimi: e desde quando cólica menstrual é frescura?

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Numa das primeiras oficinas que ministrei com adolescentes de uma escola aqui de Recife, perguntei ao grupo o que era a menstruação e uma menina de 15 anos foi certeira: “é uma coisa que só serve pra fazer a gente sofrer”. Na hora eu me lembrei de uma amiga do ginásio que faltava aula todo mês quando ficava menstruada. Ela sentia tanta dor (às vezes também diarreia e ânsias de vômito), que ficava incapacitada de sair de casa, pois chegava a desmaiar. Anos mais tarde, ela descobriu que as dores lancinantes estavam relacionadas a uma pesada endometriose.

Apesar de ser bastante dolorosa e até incapacitante para muitas mulheres, a menstruação não carrega mais o estigma de anos atrás, quando estar menstruada era “estar incomodada” e não poder ir à praia, festas ou fazer esportes, por exemplo. Hoje existem os absorventes internos e também remédios eficazes contra a dor.

Slogan da campanha do remédio NovalFem.

Slogan da campanha do remédio NovalFem.

Entretanto, dizer que cólica menstrual é mimimi, como fez a propaganda do remédio NovalFem, é algo que beira o absurdo. Eu só posso crer que essa afirmação partiu de alguém que: a) não tem útero b) nunca menstruou ou c) sequer pesquisou sobre o assunto.

O laboratório deu um super tiro no pé e percebeu isso assim que o comercial foi ao ar. A reação foi imediata: muitas mulheres manifestaram indignação ao serem consideradas “frescurentas” por algo tão doloroso (e algumas vezes sério).

Deu pra sacar que o laboratório quis vender a ideia de que a menstruação pode ser menos sofrida (e pode mesmo!), mas a escolha do termo mimimi e do jingle da campanha (cantado por Preta Gil), que apesar de bem animadinho e dançante praticamente culpabiliza as mulheres por sentirem cólicas, foi extremamente infeliz.

A parte boa dessa história? A NovalFem sacou a besteira que fez e voltou atrás, em resposta às consumidoras que se sentiram ofendidas com a propaganda. Viva a internet.

E vocês, o que acharam?

 

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4
nov 2014

Sou lésbica e tenho múltiplas parceiras. Como me proteger na hora do sexo?

 
publicado em: LGBT, sexo
por: Julieta Jacob
 

Recebi uma dúvida de uma leitora e resolvi publicar a resposta porque acredito que pode interessar a muita gente.

No sexo lésbico, há mais riscos de contrair uma DST, já que não existe um preservativo específico? Como uma lésbica sexualmente ativa, com várias parceiras, poderia se prevenir? Além da higiene, claro!

Excelente pergunta! Como no sexo lésbico não existe o risco de gravidez indesejada, costuma-se pensar que não é preciso utilizar nenhum método de proteção. Esse é um grande engano. O risco de contaminação existe devido ao contato com a mucosa vaginal, e sabemos bem que aquela regra básica também vale aqui: quanto maior o número de parceiras, maior a exposição a esse risco. Mas não precisa deixar de transar por isso. Basta se proteger contra as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e também contra o vírus HIV.

Camisinha feminina. Foto: reprodução.

Camisinha feminina. Foto: reprodução.

E como fazer isso?

Eu consultei Rebecca Spinelli, que é ginecologista e terapeuta sexual (além de ser minha irmã-parceira de todas as horas). Eis a resposta dela:

A única orientação que existe para lésbicas que têm múltiplas parceiras é o uso da camisinha feminina. Como ela é larga por fora e não fica colada no corpo como a camisinha masculina, ela permite uma certa maleabilidade para que a língua encoste no clitóris por cima do plástico, na hora do sexo oral, por exemplo. 

Algumas mulheres costumam substituir a camisinha pelo plástico de PVC, aquele usado para embalar alimentos, mas ele não é indicado porque se rompe com facilidade, permitindo o contato com a mucosa vaginal. Além disso, ele gruda muito, então o clitóris fica mais apertado e pressionado, enquanto a camisinha feminina permite que ele fique mais livre para ser feliz (leia-se ser manipulado).

O uso da camisinha feminina também é indicado quando duas mulheres compartilham objetos sexuais, como um vibrador. Outra opção, no caso do uso de sex toys, é colocar uma camisinha masculina no objeto a ser compartilhado. Ou, ainda, cada pessoa ter o seu próprio objeto para uso individual.

Ficou claro? Outra dica mportante é fazer o exame preventivo (Papanicolau) anualmente, ok? Se você tiver alguma dúvida, mande para julieta@erosdita.com | Farei o possível para ajudar! E lembre-se: sexo bom é sexo seguro! =)

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17
out 2014

Espelho, espelho meu – se minha vulva falasse

 
publicado em: educação sexual, sexo
por: Julieta Jacob
 

– Oi, tudo bem?

– Tudo.

– Como é teu nome?

– Oxe! Não tá me reconhecendo?

– A gente se conhece?

– Pelo jeito não, né? Mas devia…

– Então como você se chama?

– Depende.

– De quê?

– Depende de onde eu estou. Em alguns lugares meu nome é pipiu, em outros é pepeca, pipito, cocota, xoxota, xana, chavasca, piriquita, quiquita, e por aí vai.

– Putz! Que crise de identidade, hein? Deus me livre… mas você não tem um nome oficial de batismo?

– Claro que tenho. Eu me chamo Vulva. E, a propósio, adoro o meu nome.

– Hum… realmente a gente nunca foi apresentada. Mas eu já ouvi falar de uma tal de Vagina… seria esse mais um dos seus apelidos? 

– Sim, sim. Também me chamam de Vagina. Mas nós NÃO somos a mesma pessoa, apesar de confundirem tanto…

– Por que tanta confusão?

– Por dois motivos: porque somos vizinhas e porque moramos no mesmo bairro: o órgão sexual feminino. Deixa eu te explicar a diferença: eu, Vulva, tenho pêlos pubianos e dois tipos de lábios: grandes e pequenos. Tenho também um clitóris (que fica na parte superior e cuja ÚNICA função reconhecida é proporcionar prazer à mulher), além de dois orifícios: o da uretra (por onde sai o xixi) e o dela, o da Vagina.

– Então quer dizer que você é a parte externa do órgão sexual da mulher!

– Exatamente!

– Imagino então que a Vagina seja a parte interna… 

– Você é sabida! Ela liga a Vulva (ou seja, eu), ao colo do útero. É o canal que recebe o pênis, por onde escorre a menstruação e por onde o bebê nasce. Logo na entrada da Vagina fica o Hímen, uma famosa membrana que se rompe geralmente na primeira relação sexual. Fala-se muito dele por aí…

– Já ouvi falar! Mas querida Vulva… você e a Vagina são muito diferentes! Duvido eu confundir outra vez!

– Pois eu duvido é você lembrar do meu rosto!

– Rosto?

– Estamos conversando há um tempão e você sequer olhou pra mim. Humpf!

– Ah, desculpa… mas você fica muito escondida aí embaixo. Não consigo te ver, é complicado… e não sou contorcionista!

– O problema é esse? Pois vamos resolvê-lo agora: pega um espelho.

– Hã?

– Um espelho, oras. Ali! Tem um ali no balcão da pia.

– Tá na mão. E agora?

– Coloca no meio das pernas e me olha. Tá me vendo?

– Tou!!

– Pronto. Pode me admirar à vontade.

– E eu que pensei que só a ginecologista podia ter essa visão… grandes lábios, pequenos lábios, clitóris… mas cadê a Vagina?

– Só dá pra ver a entrada dela, entre a uretra e o Ânus. Aproveita o embalo e olha pra ele também!

– Pessoal, como eu pude demorar tanto pra conhecer vocês ao vivo?

– Não se sinta culpada. Acontece com muitas mulheres.

– Tem explicação?

– É uma história meio manjada, mas vamos lá: há milhares de anos espalharam um boato que tudo relacionado aos órgãos sexuais é indecente, feio e até pecaminoso, sabe? E que por isso é melhor manter distância da gente para evitar olhares de reprovação.

– Meu Deus! Incrível que essa fofoca permanece até hoje!

– Pois é! Pra piorar, também inventam muita mentira sobre nós. Já ouviu falar no mito da vagina dentada?

– Sei! A história de que a vagina tem dentes afiados capazes de castrar o pênis que nela penetrar… nada mais ridículo!

– Mas tem gente que acredita, viu? E como poucas mulheres nos olham para conferir a nossa anatomia, o boato corre solto…

– Pois eu vou espalhar por aí que é tudo mentira! E dizer para as minhas amigas usarem o espelho, como fiz agorinha.

–  Ótimo! Faça campanha a nosso favor! É preciso conhecer o próprio corpo. É preciso aprender a se gostar mais. 

– Deixa comigo!

– Mas, voltando ao assunto, o fato é que, diante de tantas invenções, muitas mulheres já crescem com vergonha e pudor em relação à sua genitália. Algumas chegam também a ter nojo, acredita? E ainda por cima aprendem a me chamar de nomes depreciativos que não gosto nem de lembrar: baratinha, arrombadinha, arreganhada, bueiro, caranguejeira, encardida, mijada, perseguida… 

– Que horror! Eu nunca tinha parado pra pensar… isso é bullying sexual! Não é justo fazerem isso com você!

– Epa! Não é justo fazerem isso com A GENTE! Esqueceu que estamos no mesmo corpo?

– Engraçado isso. Olha, eu adorei te ver no espelho. Eu não só te conheci, mas também me conheci melhor.

– É o tal de processo de autoconhecimento, querida. Tá na moda e faz um bem danado!

– Pois é… tou me sentindo tão bem! Obrigada por me fazer esse convite.

– Imagina… obrigada por ter aceitado.

– Você soube me convencer.

– E agora, hein?

– Agora eu vou cuidar melhor da gente, prometo!

– Confio em você. Aliás, sempre confiei.

– Ah! Muito prazer, né?

– O prazer é todo NOSSO. Agora que somos amigas, tenho certeza que vamos nos divertir MUITO juntas.

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