para maiores de 18 anos

5
nov 2012

Nem homem, nem mulher

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

É menino ou menina? Essa é a primeira pergunta que as pessoas fazem assim que sabem a notícia de uma gravidez. Mas, às vezes, nem os pais e nem os médicos sabem a resposta, mesmo depois que o bebê nasce. É que um em cada 500 mil bebês nasce com genitais com algum grau de ambiguidade (ou seja, a olho nu não dá para distinguir se a criança tem vulva com clitóris, grandes e pequenos lábios – e, portanto, é menina – ou pênis com testículos – e, portanto, é menino). Logo, eles não são claramente nem homem, nem mulher e, ao mesmo tempo, são um pouco de cada. Essas crianças são classificadas como intersexo ou intersexuadas, palavra preferível em lugar de hermafrodita (termo já considerado obsoleto e inadequado).

Ontem à noite o Discovery Channel exibiu o documentário chamado “Nem homem nem mulher” e eu fiquei impressionada como o grande desconhecimento sobre esse tema faz com que muitos pais considerem uma grande catástrofe ter um bebê com ambiguidade sexual. Muitos entram em choque e sentem medo simplesmente porque a criança não se encaixa na ideia clara de masculino ou feminino aceita pela sociedade (conservadora e patriarcal) como padrão de normalidade.

“Nós aprendemos que existem apenas dois sexos. Isso é passado de geração para geração. Por isso pensamos em masculino e feminino como pacotes separados que não se misturam, mas na verdade existe uma sobreposição em termos de habilidades, anatomia e sexualidade”, explica no documentário a psicóloga Lih-Mei Liao, da Universidade College, de Londres.

Além de entrarem em choque e morrerem de medo, alguns pais nutrem ainda um dos piores dos sentimentos: a vergonha. Tem quem chegue a esconder o filho ou até mudar de cidade para não ter que dar explicações. Mas deu para notar que boa parte dessa vergonha é fruto da falta de informação, já que praticamente não se fala sobre esse assunto. Uma mãe disse que preferia que a filha dela tivesse nascido com câncer, pois assim seria mais fácil explicar às pessoas, já que a doença é conhecida.

Como o erosdita é um blog caçador de tabus – adoramos ajudar a quebrá-los – vamos explicar melhor o que é a ambiguidade sexual. Ela é provocada por uma ADS – Anomalia de Diferenciação Sexual (detesto o nome anomalia, pois já remete a uma aberração, mas vamos em frente). Existem cerca de 20 ADS, a maioria muito raras. As mais leves são as mais comuns, sobretudo em gêmeos e em bebês ruivos (o documentário não explica a razão) .

É um pouco complicado, mas tentarei ser didática. Antes de entender a ambiguidade, é importante entender que tanto a genitália masculina quanto a feminina crescem a partir do mesmo tecido, e é a ação da testosterona, ainda na vida intra-uterina, que as torna diferentes, formando um clitóris ou um pênis. Nas meninas, o tecido que forma os grandes lábios é o mesmo que forma o saco escrotal dos meninos.

Portanto, meninas com muita testosterona podem nascer com um clitóris avantajado, parecendo um micropênis. Outras meninas, embora tenham o clitóris de tamanho normal e pareçam meninas, produzem hormônios masculinos.

Por outro lado, alguns bebês que parecem meninos, na verdade têm genes femininos e estruturas internas femininas (útero, ovário e trompas).

Analisando o DNA dos cromossomos é possível saber se a criança é geneticamente menino (XY) ou menina (XX). Mas, como se viu, apenas isso não é suficiente para uma conclusão precisa, já que outros aspectos também são levados em consideração.

Note que a ambiguidade sexual – ou intersexualidade – não tem nada a ver com a transexualidade. A intersexualidade ocorre quando há uma influência biológica de ambos os sexos sobre o sujeito (a ponto de não haver clareza quanto ao formato de sua genitália), enquanto a transexualidade ocorre quando há uma falta de sintonia entre o sexo biológico da pessoa e a sua identidade sexual (exemplo: alguém que nasce homem – com pênis, testículos, genes e hormônios masculinos – mas se identifica como mulher). Diferentemente de um intersexuado, o transexual é claramente homem ou mulher, do ponto de vista biológico, o que não impede que um intersexuado seja também um transexual.

Muitos pais de bebês intersexuados levam seus filhos a se submeterem a cirurgias reparadoras, mas alguns especialistas argumentam – com razão – que elas reduzem a sensibilidade do pênis ou clitóris, e podem trazer prejuízo para o desempenho sexual durante a vida adulta. Hoje em dia, a orientação é que a criança seja acompanhada por uma equipe multidisplinar para que se chegue à melhor solução.

Com tratamento hormonal e cirurgias adequadas, os intersexuados podem viver de forma saudável, ter vida sexual ativa e satisfatória, formar família e todas as outras coisas que ocorrem nos conhecidos mundos “masculino e feminino”.

Quanto mais se falar sobre o tema, menos drama e mitos haverá em torno dele. E quanto menos os pais imporem diferenças radicais na maneira de criar meninos e meninas, melhor, pois evita um sofrimento maior caso a ambiguidade sexual seja diagnosticada tardiamente (muitas vezes ela só aparece aos seis anos de idade).

Aqui está o documentário exibido pelo Discovery Channel. Vale a pena assistir:

httpv://youtu.be/p8GybqZfAPM

* * *

Quer ficar sempre por perto? Twitter: @erosdita | Curta a página do erosdita no facebook.

2 comentários

5
jun 2012

O ponto G não existe, e daí?

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Parem as máquinas, cancelem o trabalho das equipes de busca. Não haverá resgate nem salvamento. Muito menos encontro. A esperança acabou. O famoso, o incrível, o poderoso, infalível (e invisível) ponto G… não existe! Quer dizer que todos esses anos de procura foram em vão? E quem jura de pé junto que já o encontrou? Como faz para provar?

Por enquanto, quem prova que ele não passa de uma invenção é um estudo publicado no Jornal of Sexual Medicine, com base na análise de 1.800 mulheres. Trata-se do maior estudo dedicado ao ponto G, noticiou o site da revista Super Interessante.

O pioneiro no assunto foi o ginecologista alemão Ernst Gräfenberg, que em 1950 lançou ao mundo a hipótese da existência desse ponto mágico, verdadeiro gatilho do prazer feminino. E, desde então, por décadas e décadas a fio, a humanidade se dedicou à sua busca, como quem procura a caixa preta de um boeing caído no mar para esclarecer as causas da tragédia.

O médico deu a dica: “o ponto G fica em uma pequena área atrás do osso púbico perto da canal da uretra e acessível através da parede anterior da vagina”. Nem tente. Ou melhor, tente e verás que não é tão simples quanto “pegar a 2ª rua à direita depois a 1ª à esquerda e chegar na casa de muro amarelo ao lado da farmácia”. No corpo da mulher, algumas ruas têm formato de labirintos. Você pode até chegar aonde quer, mas corre um sério risco de se perder.

E perda de tempo, segundo os pesquisadores, é insistir na procura pelo ponto G. “Ele não existe”, assim como o Papai Noel e o coelhinho da Páscoa. Mas tem quem acredite, claro. Certeza é que o prazer feminino não depende exclusivamente dele. Até porque o cérebro é o nosso maior órgão sexual.

Portanto, acreditar obsessiva e paranoicamente no ponto G e considerar que ele é o responsável por fazer a mulher gozar é limitar as possibilidades de obtenção de prazer. Existem inúmeros pontos de excitação espalhados pelas zonas erógenas do corpo feminino, talvez um alfabeto inteiro não dê conta de nomeá-los.

O alvo é o prazer, não o ponto G. Achá-lo, definitivamente, não é o X da questão.

nenhum comentário

3
jun 2012

O coreorgasmo feminino

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Reflita por alguns instantes e responda: alguma vez você (mulher) já teve a sensação de estar ficando excitada enquanto fazia exercícios físicos? Não porque uma pessoa atraente passou perto de você na hora da malhação, ok? A excitação sobre a qual eu pergunto é aquela provocada pelos movimentos do exercício físico (abdominal, musculação ou  spinning, por exemplo).

É provável que já tenha acontecido com você. Se não, fique atenta da próxima vez que for se exercitar. Essa excitação não só é possível, como muitas mulheres relatam, inclusive, que chegam ao orgasmo! Ele, por sinal, está cientificamente provado e ganhou o nome de coreorgasmo.

A descoberta sugere mais uma pista sobre a anatomia do prazer feminino e  amplia as possibilidades de prazer sexual da mulher, que também pode chegar ao orgasmo clitoriano (obtido por meio da estimulação do clitóris) – o mais comum – ,e ao orgasmo vaginal (obtido pela estimulação da vagina), o menos comum.

Apesar de ainda pouco conhecido pelos cientistas, é certo que o coreorgasmo já é um grande aliado contra o sedentarismo.

Texto retirado da Revista Galileu de maio/2012.

1 comentário

9
maio 2012

Só um beijinho?

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Acabo de ver este vídeo abaixo no facebook e não resisti em compartilhá-lo. Ele tem tudo a ver com o tema do post anterior e serve para a gente perceber a nossa incrível e variável capacidade de interpretação. Dependendo de como vemos e interpretamos o que nos é apresentado, podemos atribuir novo(s) significado(s) à mensagem. E a nossa interpretação, normalmente, é formada a partir da nossa “bagagem” de vida, do conjunto de valores e experiências que acumulamos ao longo do tempo.

No youtube, a cena mostrada no vídeo é descrita da seguinte forma: “As imagens mostram um menino, de aproximadamente 3 anos de idade, tentando roubar um beijo de uma garotinha. A pequena fica irritada com o gesto do possível futuro ‘namorado’ e tenta empurrá-lo no chão. O menininho não desiste tão fácil e faz inúmeras tentativas para beijar o rosto da amiga”.

Está claro que o referencial aqui é o do mundo adulto. Se, no lugar de crianças, houvesse ali um homem e uma mulher, certamente a tendência seria pensarmos, de forma bem superficial, que se trata mesmo de uma paquera mal sucedida, conclusão compreensível a partir de uma lógica sexual previamente consolidada, digamos assim. Tomando como base essa interpretação, muitos internautas levaram a cena às últimas consequências: tem quem garanta que ela incentiva o machismo ou a homofobia, quem diga que a atitude da menina faz com que os homens cresçam cafajestes, e ainda quem enxergue ali um assédio infantil ou erotização precoce. Não faltam palpites. Mas quem será que tem razão?

Não esqueçamos ainda aqueles que afirmam se tratar apenas de duas crianças. Duas inocentes crianças. Que não fazem ideia do que significa, no mundo dos adultos, “paquerar”, “namorar”, nem muito menos “dar um fora no pretendente” ou “levar um fora da gatinha”. Crianças que, por serem ainda muito miúdas, são puro instinto. Agem sem levar em consideração as convenções sociais que fiscalizam e tolhem o comportamento humano em prol de uma convivência saudável em sociedade.

É difícil, portanto, saber de fato o que se passou. A diversão é opinar, simplesmente. Cada um que crie a sua própria versão. Afinal, entre a cabeça de duas crianças “há mais mistérios do que a nossa vã filosofia”.

httpv://youtu.be/xvuHrcYYaUU

nenhum comentário

6
fev 2012

Viciados em sexo

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

O título do post não é apenas força de expressão. Não é equivalente a dizer “viciados em chocolate”. É verdade que a gente tende a achar que tudo o que é bom vicia e muitas vezes atribui um caráter positivo a isso (no caso do chocolate, por exemplo). Mas quando digo “viciados em sexo”, me refiro a pessoas que se afastaram da família, perderam o emprego e tiveram problemas de saúde por serem dependentes de sexo. Trata-se de um distúrbio do prazer, um “desejo sexual excessivo” que entrou para o rol do Código Internacional de Doenças, publicado pela Organização Mundial da Saúde. Uma vontade insaciável, incontrolável e doentia, que pode ser chamada de várias formas: dependência de sexo, comportamento sexual compulsivo e transtorno hipersexual.

O tópico foi tema de uma reportagem na Revista Época desta semana. Recomendo a leitura. Além de mostrar o relato de diversos “dependentes”, a reportagem também traz uma espécie de teste com 25 perguntas, através do qual o leitor pode ter uma ideia se tem ou não algum tipo de compulsão por sexo.

leia o post completo »

1 comentário

13
jan 2012

Quem é Glória?

 
publicado em: amor, sexo
por: Julieta Jacob
 

Ela nasceu em 1997 e foi concebida por um grupo de amigos que tomavam chope numa segunda-feira no bairro da Boa Vista, no Recife. No início, Glória não era necessariamente uma figura humana, mas uma entidade à qual o grupo se referia quando queriam dizer que algo inexplicavelmente bom iria acontecer. Numa partida de futebol, por exemplo, um deles podia afirmar com convicção que o escanteio cobrado pelo seu time resultaria em gol antes mesmo de o jogador tocar na bola. Dito e feito. Nada de bruxaria ou feitiçaria. A responsável era ela, agindo nos bastidores. “Sei que vai ser gol porque Glória me flechou”. Simples assim.

É verdade que o nome Glória nos remete a vitória ou até mesmo a bênção (glória a Deus), mas antes que se faça qualquer associação com o cristianismo, deixo claro que Glória é profana por excelência. O nome é feminino não porque ela seja uma mulher, mas porque foi inspirado na personagem da atriz Victoria Abril no filme “Ninguém falará de nós quando estivermos mortos”.

leia o post completo »

3 comentários

20
dez 2011

HPV: menos pânico, mais prevenção

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Recentemente o governo federal anunciou a possibilidade de oferecer, gratuitamente na rede pública, a vacina contra o vírus HPV para meninas entre 10 e 13 anos, antes de iniciarem a vida sexual. O Ministério da Saúde justificou a escolha da faixa etária alegando que, depois que a menina tem contato com o HPV, a vacina não traz nenhum benefício. A afirmação é contestada por diversos médicos Brasil afora e, no Senado, um projeto de lei quer ampliar a oferta da vacina a mulheres de nove a 40 anos de idade.

Atualmente a vacina é oferecida apenas em  clínicas particulares no Brasil, são três doses que podem custar até R$1.100 (sei que o valor está ano a ano mais acessível, quem souber preços atualizados, agradeço a informação). O HPV é o vírus responsável por boa parte dos casos de câncer de colo do útero, doença que mata mais de cinco mil mulheres por ano no Brasil e a principal via de transmissão é através do ato sexual.

leia o post completo »

nenhum comentário

27
nov 2011

Quem disse que mulher não brocha?

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

Eis que a deusa da limpeza baixou em mim (Hígia, conhece?) e decidi fazer uma faxina no material de trabalho da minha mãe. Claro que minha atitude não foi assim puramente altruísta, mas escondia segundas intenções: como ela é ginecologista, tinha a esperança de encontrar algum material interessante aqui pro blog. Entre um remédio e outro, deparei-me com um questionário, do laboratório Herbarium, de avaliação da função sexual feminina. Me chamou a atenção logo de cara porque dificilmente ouvimos falar sobre isso. Como assim? É pra saber como a mulher “funciona” durante o sexo? Quer dizer que mulher também brocha?

leia o post completo »

nenhum comentário
Page 7 of 7« First...«34567

Copyright © 2012 - Julieta Jacob - Todos os direitos reservados