para maiores de 18 anos

22
nov 2013

A minha utopia

 
por: Julieta Jacob
 

Ontem assisti ao filme Tatuagem, de Hilton Lacerda. Entrei no cinema cheia de expectativa (principalmente depois da entrevista que André Dib deu ao Erosdita sobre cinema gay) e saí recompensada. É que Tatuagem é mais do que um filme-paisagem, sabe? Daqueles que a gente aprecia e esquece no exato momento em que sobem os créditos finais.

É um filme que faz a gente voltar pra casa com um pouco mais de coragem. Em resumo, o filme elevou meu instigômetro.

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Mas antes de falar da minha instigação, quero registrar que ontem vi uma das cenas de sexo gay mais lindas do cinema desde O Segredo de Brokeback Mountain. Bravo!

Voltando à minha instigação: o filme me despertou um siricutico a ponto de eu querer sair rodopiando feito o personagem Paulete (Rodrigo Garcia), que disse ficar cheio de tesão quando Clecinho (Irandhir Santos) pediu que ele guardasse um segredo. É por aí… se não entendeu a analogia, veja o filme. É massa!

A trilha que melhor descreve esse meu estado é a Polka do Cu, obra-prima do DJ Dolores, que você pode apreciar aqui (pausa para você escutar e entrar no clima):

Tatuagem é sobre amor, sexo e liberdade. Como o filme se passa na época da ditadura, dá pra entender que o desejo de liberdade seja explosivo, incontrolável. Daí porque a música afirma que “a única utopia possível é a utopia do cu”, assim mesmo, sem meias-palavras e sem que isso fosse um ato puramente obsceno. Era um protesto. Afinal, naqueles anos, nada poderia ser mais pornográfico (no mau sentido) do que sequestrar o direito de ir e vir dos cidadãos.

Dizem que a liberdade mata a utopia. Afinal, se somos livres, o que mais podemos querer?  É como se a possibilidade de ter “tudo” aniquilasse o próprio desejo.

Pensáva-se que com o fim da ditadura nós, brasileiros, nos tornaríamos livres. Mas não foi o que aconteceu. A tal libertação do corpo e das ideias, proposta em Tatuagem, pode estar em andamento (quero crer nisso), mas ainda não se consolidou por completo.

Portanto, embalada pela empolgação pós-filme, quero registrar aqui a minha utopia. É simples:

Quero um país onde as pessoas sejam mais bem resolvidas com a sua sexualidade. Menos culpas, menos medos, menos tabus. Menos preconceito e julgamentos. Mais prazer, mais satisfação. Mais respeito. Mais amor. E mais sexo.

Parece fácil. Mas, se fosse, não seria uma utopia. Seria apenas uma vontade. E vontade é feito fome: dá e passa. Já a utopia é capaz de acompanhar a gente por uma vida inteira.

Como sou uma utópica moderna, eu peço e já vou dando a solução. Só há um caminho: através da educação sexual. Ampla e irrestrita, como a anistia. Para crianças e adultos. Na escola e em casa.

Só assim vamos poder dizer que a utopia do cu não é mais a ÚNICA possível. Pois a minha também será.

Quem me acompanha?

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22
nov 2013

Dica de filme: Tomboy

 
por: Julieta Jacob
 

No programa Erosdita que vai ao ar na Rádio JC news, eu dou dicas de livros e filmes que tragam algum conteúdo interessante sobre sexo e sexualidade (o programa tem também entrevistas, notícias e o Sexo a Duas. Sintoniza!).

Para abordar a temática da transexualidade, um dos filmes que faz isso com maestria é Tomboy, da diretora Céline Sciamma.

Ouça o podcast e corre para a locadora!

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21
nov 2013

Sexualidade no teatro, por André Brasileiro e Marcondes Lima

 
por: Julieta Jacob
 

Eles já montaram peças como “Angu de Sangue”, “Ópera” e “Essa febre que não passa”. Os personagens são fortes e quase sempre apresentam traços marcantes da sexualidade, de preferência, quebrando estereótipos e saindo do lugar-comum.

Já subiram aos palcos do Coletivo Angu de Teatro um gay ao estilo Amélia, um estuprador que coloca a culpa dos abusos na criança (há vários assim na vida real, infelizmente), uma mulher que engravida sem qualquer planejamento e dá os próprios filhos, um homossexual à moda antiga, um transexual que rouba os absorventes da prima para fingir que menstrua e até um cachorro gay.

Tudo isso ao longo de 10anos  do Coletivo Angu. Na entrevista, os teatrólogos e fundadores do Coletivoo André Brasileiro e Marcondes Lima, falam sobre esses personagens e como a sexualidade é uma marca indispensável do teatro que eles realizam. Ouça e faça o download!

Atenção: todas as quatro peças do Coletivo Angu serão remontadas em comemoração aos 10 anos de fundação do Coletivo. As datas das apresentações ainda não estão definidas, mas sabe-se que o calendário comemorativo deve ir até abril de 2014. Chance imperdível!

André Brasileiro (à dir.), eu e Marcondes Lima (à esq.).

André Brasileiro (à dir.), eu e Marcondes Lima (à esq.).

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20
nov 2013

Gosto de homens

 
publicado em: amor, LGBT
por: Julieta Jacob
 

O filho de uma colega está morando no exterior. Um belo dia, ao abrir o facebook, ela se depara com o seguinte status publicado no mural dele: “Gosto de homens”.

De imediato, uma avalanche de comentários de amigos, ex-vizinhos, inimigos e parentes:

– Como assim?

– Mas você não dá pinta!

– Chocada!!

– Não acredito!!

– Foi pro exterior pra sair do armário!

Até o pai do garoto telefonou para a minha colega (eles são separados) para tomar satisfação, com aquele tom subliminar de a “culpa” é sua:

– Que palhaçada é essa? O que está acontecendo?

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Diante de tantas reações negativas e de tanta cobrança, a minha colega, mesmo sem ter conseguido falar com o filho para ouvir dele o motivo de tal revelação, apenas escreveu:

– Filho, eu te amo.

E ninguém mais opinou sobre o assunto. Em vez disso, uma onda de “likes” inundou a frase que a minha colega escrevera. O “eu te amo” passou a chamar mais atenção do que a revelação de que o rapaz era gay.

Creio que as pessoas perceberam que ali havia amor incondicional de uma mãe para um filho, sentimento cada vez mais raro nos dias de hoje. E havia mesmo.

Entendi que, no fundo, até mesmo aqueles que criticam o outro e gostam de “chutar cachorro morto”, adorariam ser aceitos e amados como a minha colega ama e aceita o seu filho. E não me refiro apenas à aceitação referente à orientação sexual. Esse desejo é mais amplo e está presente em vários outros aspectos da nossa vida.

Mas… voltando à história… querem saber como ela terminou?

No dia seguinte, tudo foi esclarecido. O filho da minha colega tinha esquecido o facebook aberto e um amigo dele, pra tirar onda, escreveu que ele era gay.

Tudo não passou de uma pegadinha. O filho da minha amiga continua hétero como sempre foi. E a brincadeira de mau gosto, felizmente, deu a ele a chance de comprovar a mãe incrível que ele tem.

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18
nov 2013

Gentileza é fundamental

 
por: Julieta Jacob
 

Porque hoje eu estou romântica… e porque acredito que a gentileza é um ótimo caminho para se conquistar alguém (nem que seja só para uma transa sem compromisso).

Se a vida da gente já começa com uma disputa, que a gentileza seja sempre um diferencial nas competições que a vida nos apresenta.

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16
nov 2013

O que é o ponto G da mulher?

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

De tempos em tempos alguém me aparece falando desse danado desse ponto G. Tudo porque ele ganhou fama na mídia como “o ponto do prazer”. Supostamente, ele é sim o ponto do prazer. Supostamente. Mas eu, que não entendo nada de Medicina (nem de investigação – sim, porque a pessoa tem que ter uma vocação para detetive para encontrar esse tal ponto escondido), contesto essa tese. E graças a Deus, tenho o apoio de uma das sexólogas mais renomadas do Recife e do Brasil, a médica Angelina Maia, de quem sou grande admiradora.

Na entrevista que Angelina deu ao Erosdita, falamos que o ponto G poderia ser tranquilamente rebatizado de ponto C. “C” de clitóris, claro! O clitóris sim é que “liga” a mulher. Concordam, leitoras?

Mas a ouvinte Nádia me escreveu querendo saber o que afinal é esse famoso ponto G. Confira a resposta que eu e Rebecca demos a ela:

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15
nov 2013

Religião e homossexualidade, por Fernanda Gabriella Costa

 
publicado em: LGBT
por: Julieta Jacob
 

Das duas uma: quando se mistura religião com sexualidade, tanto se pode obter um ótimo debate, como também a conversa pode não chegar a lugar algum, já que fé não se discute e ponto final. Felizmente, a minha entrevista com a pastora Fernanda Gabriella se encaixou na primeira opção.

A história dela é surpreendente. Ainda na infância, Fernanda começou a frequentar uma igreja evangélica, pois sua meta era seguir carreira e tornar-se pastora. Só que já no início da adolescência, ela começou a perceber que sentia atração por mulheres. Como a sua igreja (assim como tantas), condena a homossexualidade, Fernanda ficou angustiada por estar “vivendo em pecado”. Sobre essa fase, ela declarou, em entrevista ao Erosdita:

“Eu orava muito ao senhor para ser curada, para acontecer a tal libertação. Cheguei até a ficar noiva de um rapaz da Igreja, pois as pessoas já estavam ficando desconfiadas. Quando já estava perto do casamento, decidi conversar com o meu pastor sobre a minha sexualidade. Ele disse ‘sinto muito, mas você não se adequa às normas da Igreja, então tchau’. Foi muita dor. Eu passei três anos sem chão.”

Mas a fé a ajudou a se reerguer. Recuperada, Fernanda fundou a 1ª Igreja com base na Teologia Inclusiva do Recife, dentro do segmento evangélico, com a ajuda da sua atual esposa, Cristina Pelizari.

Na entrevista ao Erosdita, Fernanda contou detalhes de sua história.

Entrevistando Fernanda na Rádio JC news. Repare na bíblia em cima da mesa. Ela fez referência a ela em diversos momentos.

Entrevistando Fernanda na Rádio JC news. Repare na bíblia em cima da mesa. Ela fez referência a ela em diversos momentos.

Sobre a interpretação da bíblia para justificar que a homossexualidade é um pecado, Fernanda disse:

“É muito fácil a condenação para o que convém. Certa vez um pastor me disse que o Livro de Coríntios condena a homossexualidade. Eu disse a ele: ‘antes de chegar em Coríntios, o senhor passa pelo Livro de Mateus, capítulo 19, certo? Lá diz que o senhor pegue tudo o que tem e dê para os pobres. E aí? Por que então interpretar de forma literal só o que convém? Isso é muito sério”.

A entrevista está super longa, mas eu garanto: vale a pena ouvir inteira, seja qual for a sua religião ou orientação sexual! A nossa conversa foi muito além da teologia propriamente dita. Não discutimos a fé, mas sim as implicações que determinada doutrina excludente pode trazer à vida de uma pessoa homossexual. Se você não tiver tempo de ouvir tudo de uma vez, faz o download e escuta quando puder.

 

 

No fim do nosso papo, eu perguntei:

– Fernanda, como você se sente hoje?

“Eu me sinto eu. Me sinto livre e adoradora do senhor. Deus me aceita como eu sou”.
Na foto superior estou ladeada por Fernanda (à esq.) e a sua esposa, Cristina (à dir.).

Na foto superior estou entre Fernanda (à esq.) e a esposa dela, Cristina (à dir.).

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14
nov 2013

Ter muito desejo por sexo anal pode ser um problema psicológico?

 
por: Julieta Jacob
 

Ah! O sexo anal… desperta desejos e tabus na mesma proporção. O Erosdita já fez uma série especial sobre o tema, lembra? O quê? Ainda não viu os episódios? Então corre pra ver: episódio 01, episódio 2 e episódio 3.

Agora que você já viu os três episódios, está pronto para ouvir o podcast com a pergunta do ouvinte Hugo.

– Ter muito desejo em sexo anal pode ser um problema psicológico? É minha forma de sexo favorita. Por mim, três a cada quatro transas seria anal. Sou cheio de fantasias quanto a isso.

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13
nov 2013

Pornografia e erotismo na Literatura, por João Silvério Trevisan

 
por: Julieta Jacob
 

Passei a admirar João Silvério Trevisan depois que li Devassos no Paraíso, livro obrigatório para quem se interessa pela história da homossexualidade. Tem 600 páginas e é delicioso de se ler. Li esse livro em 2011 e, desde então, quis enormemente conversar com o autor.

O universo conspirou a meu favor! Demorou um pouco, é verdade, mas recentemente João Silvério esteve no Recife para ministrar uma oficina na 9ª edição da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Aproveitei a chance e fiz o convite a ele!

A conversa com João foi muito legal! Como já era de se esperar, o escritor é inteligente e combativo na mesma proporção. Dá gosto ouvi-lo falar. Nosso papo foi além do erotismo e da pornografia na literatura: falamos de homossexualidade, machismo, sexualidade infantil, entre outros temas.

“Dá licença, você não gosta de dois homens se beijando? Vá perguntar para um casal de homossexuais se eles gostam de homem e mulher se beijando. Eles estão acostumados!”

, declarou João sobre o tabu de se exibir beijo gay na televisão brasileira.

Espero que gostem da entrevista!

Depois da entrevista, fiquei com vontade de ler “Seis balas num buraco só – a crise do masculino”, também de João Silvério. Já está na lista de espera!

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23
out 2013

A história de Fran

 
publicado em: amor
por: Julieta Jacob
 

Fran era uma menina normal. De 19 anos. Que morava em Goiânia, estudava numa universidade e trabalhava como vendedora. Que tinha um namoro estável há três anos. Que gostava de transar como qualquer garota com o corpo repleto de hormônios.

Até que um dia, enquanto transava com seu namorado, Fran permitiu que ele a filmasse com o celular. Como qualquer pessoa que faz sexo com alguém em quem confia.

Ela fazia sexo oral no namorado, quando olhou para a câmera e convidou-o a fazer sexo anal. O convite foi feito numa frase cheia de intimidade e tesão. Como faz qualquer pessoa que está bem excitada.

O vídeo tem apenas 13 segundos. Eu não vi esse vídeo. Quando tomei conhecimento da polêmica, fiz questão de não encontrá-lo na internet.

Fran não precisa de mais exposição do que já teve.

É que o tal vídeo gravado pelo namorado dela tornou-se público. Em poucas horas, as imagens foram compartilhadas entre milhares de pessoas. Em poucas horas – de repente, não mais que de repente – Fran não era mais uma menina normal. Ela passou a ser chamada de vadia, de prostituta. Já não estuda mais na universidade, nem trabalha mais como vendedora, pois não suportou ser apontada e esculachada na rua. Mudou o visual para não ser reconhecida. Já não tem mais um namoro estável de três anos e acusa o namorado de ser o responsável por ter compartilhado o vídeo da intimidade dos dois.

Fran continua com 19 anos, o corpo cheio de hormônios e nenhum arrependimento. Fez porque quis e pronto.

Em entrevista exclusiva ao G1 e à TV Anhanguera, no entanto, ela disse estar traumatizada com a reação das pessoas. Considera-se agora uma morta-viva.

Não é possível saber com exatidão quantas pessoas viram o vídeo de Fran. Nem quantas vezes o link do vídeo foi multiplicado internet afora. Entretanto, é possível – e necessário – que a gente reflita. O que faria de Fran uma vadia, como muitos a classificaram?

a) transar com o namorado

b) fazer sexo oral no namorado

c) convidar o namorado a fazer sexo anal

d) concordar em filmar a transa com o namorado

e) ter a sua intimidade exposta para milhares de pessoas

Se você marcou alguma alternativa entre A e D, sugiro que você reveja os seus conceitos. Ou tenha a certeza que o planeta terra é habitado por uma legião de Frans. As alternativas de A a D trazem práticas sexuais comuns, por mais que uma outra não seja a mais convencional. Nem todo mundo curte e pratica sexo anal, é verdade, mas é fato que essa é uma variação sexual considerada prazerosa e apreciada por muita gente. Da mesma forma, nem todo mundo curte filmar a transa, mas com a facilidade cada vez maior das câmeras de celulares, essa é uma prática cada vez mais comum. Pode ser excitante, pode ser interessante. O motivo não importa. Concordemos ou não, não cabe a nós julgar se é certo ou errado. As preferências sexuais são individuais. Desde que não sejam criminosas, não há problema algum em levar as fantasias adiante.

Mas se você marcou a letra E, reflita também por dois minutos: Fran garantiu que não queria ter a sua intimidade exposta. Era um vídeo feito a dois e para ser curtido única e exclusivamente pelos dois. Segundo ela, foi o namorado quem compartilhou o vídeo (talvez) sem ter ideia do estrago que isso poderia causar à vida daquela garota normal. Quem se deixa filmar durante uma transa não necessariamente quer ser vista por milhões de pessoas. Sim, é um risco. Mas, convenhamos: eles namoravam há três anos e tinham intimidade e confiança suficiente para fazer sexo oral, anal e também para registrar a transa. Seria hipocrisia pensar que não.

Portanto, o adjetivo depreciativo seria infundado.

E o namorado? Quase ninguém falou dele. Talvez porque o rosto dele sequer aparece no vídeo. Mas ele também transou com a namorada, fez sexo oral, foi convidado para fazer anal e concordou em filmar a transa. Será que ele continua sendo um garoto normal de 22 anos ou também devemos chamá-lo de “vadio”?

Fran prefere chamá-lo de criminoso. Mas não acredita que ele seja punido. Não existe uma lei específica para esse tipo de crime propagado pela internet e o caso é investigado como crime de difamação.

Seja qual for o desfecho, a história de Fran nos diz muito sobre nós mesmos e sobre a sociedade em que vivemos.

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