para maiores de 18 anos

9
jan 2014

Ninfomaníaca – Parte 01

 
por: Julieta Jacob
 

Num tempo em que a impotência e a falta de apetite sexual assombram homens e mulheres mundo afora, o tema da ninfomania corre o risco de ser mal interpretado. “É alguém que gosta muito, muito de sexo. E que mal pode haver nisso?”, podem pensar alguns. O pensamento não está de todo equivocado. Mas há um detalhe – que muda todo o cenário e transforma o que seria algo “maravilhoso” num filme de terror. No caso da ninfomania, não podemos usar a palavra “gostar”. Ela é inofensiva e, se usada nesse contexto, sugere mesmo um comportamento saudável. Afinal, de fato, não há nada de mal em gostar de sexo. No entanto, o ninfomaníaco não gosta de sexo. Ele é viciado em sexo. Ou seja, isso quer dizer que aquilo que poderia ser apenas um hábito tranquilo, virou doença.

No filme Ninfomaníaca – Parte 01, de Lars Von Trier, a protagonista é viciada em sexo. Eu imaginei que o diretor pudesse conduzir o filme explorando a faceta mais patológica do problema. Mas o que se vê na tela é uma visão mais moralista e religiosa, em que Joe, a protagonista, se sente extremamente culpada e pecadora por fazer – e não necessariamente gostar – tanto sexo e com tantos parceiros.

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O filme é conduzido em flashbacks a partir das memórias de Joe, que relata a sua história a um senhor que a encontrou no chão, sob a neve e ferida (essa é a cena inicial do filme). O relato tem um claro tom de confissão, como se Joe precisasse passar a limpo a sua história para um homem que faz as vezes de padre no intuito de, quem sabe, ser absolvida de seus pecados.

Explora-se muito mais o sexo do que o prazer e o desejo. O amor é quase totalmente deixado de lado. Ele só aparece quando a amiga de Joe (e parceira nas primeiras descobertas sexuais de ambas) diz a ela que “o ingrediente secreto do sexo é o amor”. Joe, é claro, não apenas recusa essa afirmação, como também reprova a atitude da amiga, como se ela estivesse traindo a causa do sexo pelo sexo.

Ao tentar descrever a sua condição de “viciada”, Joe diz: “Imagine uma porta automática que se abre quando alguém se aproxima. Agora imagine essa porta com um sensor ultrasensível. Assim é a minha boceta”.

É claro que o meu lado “educadora sexual” questionou: – Mas será que ela não engravidou? Quantos abortos terá feito? Será que contraiu alguma doença venérea? Todas as perguntas ficaram sem resposta.

Uma análise psicanalítica talvez concluísse que a ninfomania de Joe teve origem na sua relação com os pais. Talvez uma paixão reprimida pelo pai e uma aversão extrema pela mãe – a quem ela chama de “vadia”. Uma das cenas que traduz um pouco da “loucura” que é a ninfomania, é quando Joe vê o pai morto no leito do hospital e se sente ex-tre-ma-men-te excitada. Uma ilustração perfeita dos instintos do Eros e do Thanatos atuando a um só tempo, diria Edgar Morin.

Essas foram algumas impressões que eu tive sobre Ninfomaníaca – Parte 01. Apesar do oba-oba que se tem feito acerca das cenas de nudez e sexo, elas não têm nada de explícito ou de surpreendente. No geral, eu gostei do filme e só lamentei na hora em que, subitamente, ele termina: no “melhor” estilo coito interrompido. Veio aquela sensação de “Ah, não! Logo agora que tava ficando bom!”. Teremos que controlar a curiosidade. A parte 02 só deve ser lançada em março – e parece ser mais interessante do que a primeira. Só aí vamos descobrir como foi que Joe foi parar ali no chão, ferida, no meio da rua e sob a neve (é assim que ela aparece numa das primeiras cenas do filme).

Vale a pena conferir! Ninfomaníaca – Parte 01 estreia amanhã, 10 de janeiro, no cinema da Fundaj. Depois me contem o que acharam!

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29
nov 2013

Sobre o pecado

 
publicado em: amor
por: Julieta Jacob
 

“- Você tocou seu corpo com as mãos? – perguntou.
– Sim, padre – balbuciei.
– Muitas vezes, minha filha?
– Todos os dias.
– Todos os dias! Essa é uma ofensa gravíssima aos olhos de Deus, a pureza é a maior virtude de uma menina, você deve me prometer que não fará mais isso!

Prometi, embora não conseguisse imaginar como iria lavar o rosto ou escovar os dentes sem tocar meu corpo com as mãos.”

Isabel Allende, relembrando um episódio da sua infância no livro “Amor”.

Moral da história: na maioria das vezes, a “maldade” está apenas na cabeça do adulto. Quem age assim reprime e confunde a criança, ou seja, promove uma anti-educação sexual.

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23
nov 2013

Dica literária: Fogo nas entranhas, de Pedro Almodóvar

 
por: Julieta Jacob
 

Muita gente só conhece o Almodóvar cineasta… mas o talento do espanhol vai além da sétima arte.

Ouça meu comentário sobre o livreto (o diminutivo justifica-se pelo tamanho do livro, bem pequenino) “Fogo nas entranhas” e corre para a livraria!

Almodóvar também é autor do livro “Patty Diphusa”, sobre uma divertidíssima estrela internacional de fotonovelas pornô. Já está na lista de dica literária do programa!

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22
nov 2013

A minha utopia

 
por: Julieta Jacob
 

Ontem assisti ao filme Tatuagem, de Hilton Lacerda. Entrei no cinema cheia de expectativa (principalmente depois da entrevista que André Dib deu ao Erosdita sobre cinema gay) e saí recompensada. É que Tatuagem é mais do que um filme-paisagem, sabe? Daqueles que a gente aprecia e esquece no exato momento em que sobem os créditos finais.

É um filme que faz a gente voltar pra casa com um pouco mais de coragem. Em resumo, o filme elevou meu instigômetro.

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Mas antes de falar da minha instigação, quero registrar que ontem vi uma das cenas de sexo gay mais lindas do cinema desde O Segredo de Brokeback Mountain. Bravo!

Voltando à minha instigação: o filme me despertou um siricutico a ponto de eu querer sair rodopiando feito o personagem Paulete (Rodrigo Garcia), que disse ficar cheio de tesão quando Clecinho (Irandhir Santos) pediu que ele guardasse um segredo. É por aí… se não entendeu a analogia, veja o filme. É massa!

A trilha que melhor descreve esse meu estado é a Polka do Cu, obra-prima do DJ Dolores, que você pode apreciar aqui (pausa para você escutar e entrar no clima):

Tatuagem é sobre amor, sexo e liberdade. Como o filme se passa na época da ditadura, dá pra entender que o desejo de liberdade seja explosivo, incontrolável. Daí porque a música afirma que “a única utopia possível é a utopia do cu”, assim mesmo, sem meias-palavras e sem que isso fosse um ato puramente obsceno. Era um protesto. Afinal, naqueles anos, nada poderia ser mais pornográfico (no mau sentido) do que sequestrar o direito de ir e vir dos cidadãos.

Dizem que a liberdade mata a utopia. Afinal, se somos livres, o que mais podemos querer?  É como se a possibilidade de ter “tudo” aniquilasse o próprio desejo.

Pensáva-se que com o fim da ditadura nós, brasileiros, nos tornaríamos livres. Mas não foi o que aconteceu. A tal libertação do corpo e das ideias, proposta em Tatuagem, pode estar em andamento (quero crer nisso), mas ainda não se consolidou por completo.

Portanto, embalada pela empolgação pós-filme, quero registrar aqui a minha utopia. É simples:

Quero um país onde as pessoas sejam mais bem resolvidas com a sua sexualidade. Menos culpas, menos medos, menos tabus. Menos preconceito e julgamentos. Mais prazer, mais satisfação. Mais respeito. Mais amor. E mais sexo.

Parece fácil. Mas, se fosse, não seria uma utopia. Seria apenas uma vontade. E vontade é feito fome: dá e passa. Já a utopia é capaz de acompanhar a gente por uma vida inteira.

Como sou uma utópica moderna, eu peço e já vou dando a solução. Só há um caminho: através da educação sexual. Ampla e irrestrita, como a anistia. Para crianças e adultos. Na escola e em casa.

Só assim vamos poder dizer que a utopia do cu não é mais a ÚNICA possível. Pois a minha também será.

Quem me acompanha?

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22
nov 2013

Dica de filme: Tomboy

 
por: Julieta Jacob
 

No programa Erosdita que vai ao ar na Rádio JC news, eu dou dicas de livros e filmes que tragam algum conteúdo interessante sobre sexo e sexualidade (o programa tem também entrevistas, notícias e o Sexo a Duas. Sintoniza!).

Para abordar a temática da transexualidade, um dos filmes que faz isso com maestria é Tomboy, da diretora Céline Sciamma.

Ouça o podcast e corre para a locadora!

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21
nov 2013

Sexualidade no teatro, por André Brasileiro e Marcondes Lima

 
por: Julieta Jacob
 

Eles já montaram peças como “Angu de Sangue”, “Ópera” e “Essa febre que não passa”. Os personagens são fortes e quase sempre apresentam traços marcantes da sexualidade, de preferência, quebrando estereótipos e saindo do lugar-comum.

Já subiram aos palcos do Coletivo Angu de Teatro um gay ao estilo Amélia, um estuprador que coloca a culpa dos abusos na criança (há vários assim na vida real, infelizmente), uma mulher que engravida sem qualquer planejamento e dá os próprios filhos, um homossexual à moda antiga, um transexual que rouba os absorventes da prima para fingir que menstrua e até um cachorro gay.

Tudo isso ao longo de 10anos  do Coletivo Angu. Na entrevista, os teatrólogos e fundadores do Coletivoo André Brasileiro e Marcondes Lima, falam sobre esses personagens e como a sexualidade é uma marca indispensável do teatro que eles realizam. Ouça e faça o download!

Atenção: todas as quatro peças do Coletivo Angu serão remontadas em comemoração aos 10 anos de fundação do Coletivo. As datas das apresentações ainda não estão definidas, mas sabe-se que o calendário comemorativo deve ir até abril de 2014. Chance imperdível!

André Brasileiro (à dir.), eu e Marcondes Lima (à esq.).

André Brasileiro (à dir.), eu e Marcondes Lima (à esq.).

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20
nov 2013

Gosto de homens

 
publicado em: amor, LGBT
por: Julieta Jacob
 

O filho de uma colega está morando no exterior. Um belo dia, ao abrir o facebook, ela se depara com o seguinte status publicado no mural dele: “Gosto de homens”.

De imediato, uma avalanche de comentários de amigos, ex-vizinhos, inimigos e parentes:

– Como assim?

– Mas você não dá pinta!

– Chocada!!

– Não acredito!!

– Foi pro exterior pra sair do armário!

Até o pai do garoto telefonou para a minha colega (eles são separados) para tomar satisfação, com aquele tom subliminar de a “culpa” é sua:

– Que palhaçada é essa? O que está acontecendo?

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Diante de tantas reações negativas e de tanta cobrança, a minha colega, mesmo sem ter conseguido falar com o filho para ouvir dele o motivo de tal revelação, apenas escreveu:

– Filho, eu te amo.

E ninguém mais opinou sobre o assunto. Em vez disso, uma onda de “likes” inundou a frase que a minha colega escrevera. O “eu te amo” passou a chamar mais atenção do que a revelação de que o rapaz era gay.

Creio que as pessoas perceberam que ali havia amor incondicional de uma mãe para um filho, sentimento cada vez mais raro nos dias de hoje. E havia mesmo.

Entendi que, no fundo, até mesmo aqueles que criticam o outro e gostam de “chutar cachorro morto”, adorariam ser aceitos e amados como a minha colega ama e aceita o seu filho. E não me refiro apenas à aceitação referente à orientação sexual. Esse desejo é mais amplo e está presente em vários outros aspectos da nossa vida.

Mas… voltando à história… querem saber como ela terminou?

No dia seguinte, tudo foi esclarecido. O filho da minha colega tinha esquecido o facebook aberto e um amigo dele, pra tirar onda, escreveu que ele era gay.

Tudo não passou de uma pegadinha. O filho da minha amiga continua hétero como sempre foi. E a brincadeira de mau gosto, felizmente, deu a ele a chance de comprovar a mãe incrível que ele tem.

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18
nov 2013

Gentileza é fundamental

 
por: Julieta Jacob
 

Porque hoje eu estou romântica… e porque acredito que a gentileza é um ótimo caminho para se conquistar alguém (nem que seja só para uma transa sem compromisso).

Se a vida da gente já começa com uma disputa, que a gentileza seja sempre um diferencial nas competições que a vida nos apresenta.

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16
nov 2013

O que é o ponto G da mulher?

 
publicado em: sexo
por: Julieta Jacob
 

De tempos em tempos alguém me aparece falando desse danado desse ponto G. Tudo porque ele ganhou fama na mídia como “o ponto do prazer”. Supostamente, ele é sim o ponto do prazer. Supostamente. Mas eu, que não entendo nada de Medicina (nem de investigação – sim, porque a pessoa tem que ter uma vocação para detetive para encontrar esse tal ponto escondido), contesto essa tese. E graças a Deus, tenho o apoio de uma das sexólogas mais renomadas do Recife e do Brasil, a médica Angelina Maia, de quem sou grande admiradora.

Na entrevista que Angelina deu ao Erosdita, falamos que o ponto G poderia ser tranquilamente rebatizado de ponto C. “C” de clitóris, claro! O clitóris sim é que “liga” a mulher. Concordam, leitoras?

Mas a ouvinte Nádia me escreveu querendo saber o que afinal é esse famoso ponto G. Confira a resposta que eu e Rebecca demos a ela:

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15
nov 2013

Religião e homossexualidade, por Fernanda Gabriella Costa

 
publicado em: LGBT
por: Julieta Jacob
 

Das duas uma: quando se mistura religião com sexualidade, tanto se pode obter um ótimo debate, como também a conversa pode não chegar a lugar algum, já que fé não se discute e ponto final. Felizmente, a minha entrevista com a pastora Fernanda Gabriella se encaixou na primeira opção.

A história dela é surpreendente. Ainda na infância, Fernanda começou a frequentar uma igreja evangélica, pois sua meta era seguir carreira e tornar-se pastora. Só que já no início da adolescência, ela começou a perceber que sentia atração por mulheres. Como a sua igreja (assim como tantas), condena a homossexualidade, Fernanda ficou angustiada por estar “vivendo em pecado”. Sobre essa fase, ela declarou, em entrevista ao Erosdita:

“Eu orava muito ao senhor para ser curada, para acontecer a tal libertação. Cheguei até a ficar noiva de um rapaz da Igreja, pois as pessoas já estavam ficando desconfiadas. Quando já estava perto do casamento, decidi conversar com o meu pastor sobre a minha sexualidade. Ele disse ‘sinto muito, mas você não se adequa às normas da Igreja, então tchau’. Foi muita dor. Eu passei três anos sem chão.”

Mas a fé a ajudou a se reerguer. Recuperada, Fernanda fundou a 1ª Igreja com base na Teologia Inclusiva do Recife, dentro do segmento evangélico, com a ajuda da sua atual esposa, Cristina Pelizari.

Na entrevista ao Erosdita, Fernanda contou detalhes de sua história.

Entrevistando Fernanda na Rádio JC news. Repare na bíblia em cima da mesa. Ela fez referência a ela em diversos momentos.

Entrevistando Fernanda na Rádio JC news. Repare na bíblia em cima da mesa. Ela fez referência a ela em diversos momentos.

Sobre a interpretação da bíblia para justificar que a homossexualidade é um pecado, Fernanda disse:

“É muito fácil a condenação para o que convém. Certa vez um pastor me disse que o Livro de Coríntios condena a homossexualidade. Eu disse a ele: ‘antes de chegar em Coríntios, o senhor passa pelo Livro de Mateus, capítulo 19, certo? Lá diz que o senhor pegue tudo o que tem e dê para os pobres. E aí? Por que então interpretar de forma literal só o que convém? Isso é muito sério”.

A entrevista está super longa, mas eu garanto: vale a pena ouvir inteira, seja qual for a sua religião ou orientação sexual! A nossa conversa foi muito além da teologia propriamente dita. Não discutimos a fé, mas sim as implicações que determinada doutrina excludente pode trazer à vida de uma pessoa homossexual. Se você não tiver tempo de ouvir tudo de uma vez, faz o download e escuta quando puder.

 

 

No fim do nosso papo, eu perguntei:

– Fernanda, como você se sente hoje?

“Eu me sinto eu. Me sinto livre e adoradora do senhor. Deus me aceita como eu sou”.
Na foto superior estou ladeada por Fernanda (à esq.) e a sua esposa, Cristina (à dir.).

Na foto superior estou entre Fernanda (à esq.) e a esposa dela, Cristina (à dir.).

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